Sem ter a vergonha de viver

Editorial / 10/06/2021 - 00h17

A depender do Congresso e do governo federal, o auxílio emergencial que foi a tábua de salvação de inúmeros cidadãos brasileiros em 2020, que retornou em valor menor no início de 2021, deve permanecer como socorro para os mais vulneráveis no segundo semestre de 2021. Para quem tem passado por um processo ainda mais dolorido nestes tempos de pandemia, a permanência do auxílio, que vem suprir políticas públicas para o grupo, é aquela luzinha salvadora no fim do túnel.

Muitos dirão que 400, 375, 250 ou 150 reais é pouco. De fato, não é um valor que permitirá às famílias ou a qualquer um viver com dignidade, mas antes pouco do que nada. Fato é que, para as pessoas que compõem a triste estatística de população abaixo das linhas da pobreza e da miséria, esse valor faz toda diferença entre ter ou não o que comer ou ainda, o mais trágico, é a tênue linha entre viver e morrer.

Sem dúvida, a pandemia trouxe urgências urgentíssimas não existentes anteriormente e que faz-se necessário cuidar, mas cuidar dessas pessoas é também salvar vidas e não podemos nos esquecer disso.

Esses cidadãos, tanto quanto os que estão em um leito de UTI, precisam de acolhimento, de cuidado, de solidariedade. São pessoas que estão por anos a fio à margem da sociedade, que sobrevivem de bicos, que não têm e nunca tiveram uma carteira de trabalho assinada, que sobrevivem do trabalho informal.

Se para o cidadão que tem trabalho formal, que ao perder o emprego pode, por alguns meses, ser amparado pelo seguro-desemprego, mas mesmo assim e, apesar disso, a vida anda difícil, essa outra “categoria” de população, que não tem amparo, que vive um dia de cada vez, e que, como bom brasileiro, não desiste nunca, a vida está além do precário.

São pessoas que não têm reservas, não têm poupança, nem aplicações.... Dignidade? Cidadania? Nunca fizeram parte nem do vocabulário e nem da vida dessas pessoas que precisam sim de cuidadas e não apenas agora, mas até que consigam se erguer e se tornarem cidadãos de fato. Mas, sobretudo, sentirem que fazem parte da sociedade em que vivem e são vistos por esta sociedade.

Que esse auxílio, assim como os aparelhos respiradores, como os leitos de UTI, possam salvar as muitas vidas dos que são invisíveis sociais. Mais do que isso, que represente a oportunidade de receberem não apenas o direto à dignidade, mas também a chance de sonhar, de ter esperança e acreditar no amanhã, a chance de viver!

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