Sem obras

Editorial / 23/04/2021 - 00h02

Após as eleições 2020, em que a população elegeu os gestores municipais dos mais de cinco mil municípios brasileiros, percebe-se um “fenômeno”: as obras que durante os meses de campanha andavam em ritmo de trem bala, no momento ou estão em ritmo de tartaruga ou paralisadas. 

Montes Claros é exemplo disso. Durante as eleições, a cidade foi transformada em um verdadeiro canteiro de obras a céu aberto, com o objetivo de demonstrar aos eleitores que a gestão municipal em curso era eficiente. Enquanto durou a campanha, as obras fluíram. Naquele tempo, nenhuma dificuldade, nenhuma pedra no caminho para dar andamento à construção de pontes, reformas de avenidas e postos de saúde e uma infinidade de outras obras. Conquistado o objetivo da reeleição, choveram pedras no caminho para impedir a continuidade das obras: falta de recursos, problemas com empresa contratada e até a chuva, escassa, está sendo usada como desculpa para a paralisação de obras que eram diariamente esfregadas da cara do eleitor.

Agora, sem palanque, a vida volta à sua rotina: ruas esburacadas, obras paralisadas trazendo caos para o dia a dia da cidade, reformas suspensas, pontes esquecidas, saúde exposta nos corredores dos hospitais, falta de medicamentos, educação sem apoio, em uma demonstração clara de que tudo não passou de propaganda, e o pior, propaganda enganosa. Será que o cidadão poderá recorrer ao Procon, ao Idec ou, ainda, ao Ministério Público para reclamar de tamanho engodo? 

É a vida pós- eleições voltando aos trilhos do descaso de outrora. Obras reais, só nas próximas eleições, quando ganharão vida novamente, serão aceleradas, receberão os recursos necessários, assim como a saúde e a educação serão mais bem cuidadas, até novamente serem paralisadas e esquecidas com a desmontagem do novo palanque. E assim, de eleição em eleição, a cidade vai avançando passo a passo. Avanço de verdade, somente quando o cidadão decidir levar a política a sério e escolher seus representantes com base em informações reais e não em fakenews.

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