Quando a esmola é demais...

Editorial / 14/08/2020 - 00h02

Ficar com o nome limpo, se livrar de uma dívida que lhe tira o sono ou receber uma graninha com a qual não contava. Situações que fazem o olho dos mais desavisados crescer e os tornam presas fáceis de criminosos. Os golpes praticados por estelionatários não são novidade, existem desde que o mundo é mundo. No entanto, é inegável que a tecnologia acabou se tornando ferramenta facilitadora de aplicação de fraudes.

Seja por ligação telefônica, e-mails, mensagens no WhatsApp ou pelas redes sociais – como Facebook e Instagram –, os “gatunos” estão prontos para engabelar alguém e conseguir vantagens financeiras. E nesse período de pandemia, em que as pessoas estão usando muito o meio eletrônico, principalmente para fazer compras, as barreiras ficam mais frágeis.

Na última semana, pelo menos quatro pessoas foram vítimas dos golpistas em Montes Claros. Os autores dos crimes prometiam às vítimas uma negociação vantajosa para que pudessem quitar dívidas e retirar o nome de órgãos de proteção ao crédito, como SPC e Serasa. É o chamado golpe “limpa nome”, mesma definição do programa oferecido pela Serasa.

A oferta era tentadora, com grande redução do valor do débito. Os alvos, após concordarem com o desconto, transferiam o valor final para os “negociadores”, que então sumiam e não davam mais nenhum retorno. Teve gente com prejuízo superior a R$ 500. Mas as perdas podem ser ainda maiores.

Quem caiu na conversa dos estelionatários permaneceu com a dívida, com o nome na lista de restrições de crédito e sem o dinheiro transferido.

Segundo a Polícia Civil de Montes Claros, o número de vítimas desse tipo de crime cresceu 21% no primeiro semestre deste ano em comparação com todo o ano passado. Foram mais de 600 pessoas ludibriadas.

Constantemente, instituições financeiras e empresas de renome no país alertam os consumidores de que não enviam propostas nem fazem negociações pelas redes sociais. É preciso ficar atento a esse tipo de situação e, sempre, procurar se informar antes de atender aos pedidos de quem oferece muita vantagem. Como diz o ditado, “quando a esmola é demais, o santo desconfia”. E tem mesmo que desconfiar.
 
 
 

 

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