Perigo à frente

Editorial / 23/06/2017 - 00h50

Utilizar os passeios públicos em Montes Claros não é tarefa fácil. Para as pessoas com necessidades especiais, então, é quase uma missão impossível frente aos inúmeros obstáculos que encontram pela frente: buracos, desníveis, materiais que impedem a mobilidade, camelôs que invadem o espaço destinado aos pedestres entre outros. A falta de piso tático, recurso utilizado para apontar o caminho para os deficientes visuais é outra aberração. Quando existem, muitos deles são verdadeiras armadilhas. Um exemplo pode ser visto em passeio próximo à agência dos Correios, na Praça da Matriz, onde o piso tático conduz o cego de encontro a um poste, onde está instalada, ironicamente, uma câmera do Olho Vivo. Se o cego não tiver alguém para avisá-lo do perigo, fatalmente baterá com a cara na arapuca.

Até a administração do prefeito Ruy Muniz, encerrada em 2017, os passeios públicos passaram por importantes obras de revitalização, principalmente no centro da cidade, dentro do Programa Municipal de Mobilidade Urbana e atendendo lei municipal, de 2007, que exige a padronização das calçadas, seu nivelamento, entre outras medidas que garantam o direito constitucional de ir e vir com segurança. Mas os serviços foram interrompidos pelo atual governo municipal e não há notícia de que as obras serão retomadas. Agindo assim, a prefeitura protagoniza o descumprimento da lei municipal e de outros instrumentos legais encontrados no Código de Postura - entre eles o que exige fiscalização do Poder Público para evitar que comerciantes interditem as calçadas com materiais, fazendo delas uma extensão de seu estabelecimento. Todo mundo reclama disso, mas prefeitura faz de conta que não ouve.

No centro da cidade um piso tático no passeio conduz o cego de encontro a um poste. Se não for avisado, ele fatalmente baterá a cara na arapuca

 

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