Pensar fora da caixinha

Editorial / 28/08/2020 - 00h01

A pandemia da Covid 19 descortinou inúmeras deficiências pelo mundo afora, algumas estruturais, outras tantas de caráter e, ainda, algumas muitas de desumanização. Ao se instalar pelos quatro cantos do mundo, além desse descortinamento, o vírus arrastou vidas, arrasou economias e promoveu uma série incalculável de problemas. O maior deles, sem dúvida, é encontrar uma forma eficaz de estancar a perda de vidas. Aliado a esta questão, vêm, de forma direta ou indireta, muitas outras situações que também significam questões de vida ou morte, tais como escola virtual, economias esfaceladas, missas e cultos pelas telas de computadores, dentre muitos.

Tantos foram os problemas que passamos ao Novo Normal, que significa, no entanto, o anormal, que se instalou para que pudéssemos dar conta de viver, ou seria, sobreviver a tempo tão estranho? O fato é que equilibrar todas estas questões e encontrar soluções para tão diferentes problemas se tornou um dos maiores desafios para gestores, principalmente para gestores públicos. Tendo este que lidar com problemas agigantados, com questões coletivas, o vírus, mais vez, apontou problemas: a incapacidade, a incompetência destes gestores para buscar soluções que permitissem preservar vidas, sem, no entanto, fazer desmoronar a economia e a sociedade como um todo.

Eleitos para atuarem no dito “normal”, muitos destes gestores, ante o Novo Normal, se mostraram incapazes de atuar de forma efetiva e eficaz para evitar que o caos se instalasse em seus municípios, em seus Estados. Incapazes de pensar além do que está escancarado, não conseguiram encontrar caminhos que fossem de encontro às demandas locais, em uma total falta de habilidade e sensibilidade para promover ações que garantissem aos cidadãos uma vida o mais próximo possível do dito normal, evitando assim, não apenas o colapso do sistema de saúde, mas o colapso econômico e social. Ou seja, como dizem os mais descolados, se mostraram incapazes de pensar “fora da caixinha”. 

A lição que fica é que, se urge encontrar uma vacina para varrer a Covid-19 da face da terra, urge encontrar um remédio eficaz contra gestores incapazes de gerir com eficácia e sensibilidade.

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