Pau que dá em Chico...

Editorial / 02/04/2021 - 00h10

Decretos e mais decretos, ondas de várias cores, toque de recolher, comércio fechado por mais de mês. Nada tem sido suficiente para fazer a famosa curva de contaminação da Covid, bem como a de óbitos, decrescer. Mesmo com a curva batendo recorde atrás de recorde, os gestores públicos parecem não se preocupar em buscar as possíveis causas, os fatores que estão mantendo os índices no alto por quase um mês. Eles parecem não enxergar ou não querer enxergar que o transporte público é um dos vilões que tem provocado a disseminação do vírus.

As medidas, por mais drásticas que sejam, nunca serão suficientes se o transporte público não for repensado. O momento pelo qual o país está passando exige, e muito, medidas extremas. E no cenário atual, não é possível deixar nenhum setor de fora. 

Não parece justo, não apenas do ponto de vista econômico, mas do ponto de vista da saúde. Se toda a sociedade está contribuindo com sua cota de sacrifícios, é preciso que o setor de transporte também dê a sua contribuição, aumentando a frota para que o cidadão que trabalha em setores essenciais, como o da saúde, não fique transitando de casa para o trabalho em ônibus lotados.

Essa é uma medida fundamental desde o início e que, até o momento, não foi de fato tomada. Não cabe mais essa proteção, quando muitos estão perdendo suas vidas em uma guerra desleal, onde profissionais da saúde seguem, mesmo extenuados, trabalhando em um sistema de saúde que vive em constante colapso. 

É necessário dar aos trabalhadores, todos aqueles que não podem ficar na proteção de seus lares, porque precisam ir para a batalha e ajudar a salvar vidas, condições dignas para isso. É o que todo cidadão merece agora e é o que o poder público deveria oferecer, garantir.

Enquanto não houver a consciência, individual e coletiva, de que todos, mas todos, sem exceção, precisam contribuir de todas as formas possíveis, a situação não vai mudar. Esse é daqueles momentos que, literalmente, pau que dá em Chico precisa, mais do que nunca, dar em Francisco.

 

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