Pandemia de corrupção

Editorial / 09/09/2020 - 00h01

Quando se alardeia a queda na curva do Covid19, Câmara e Senado aprovam mais recursos para municípios e Estados enfrentarem a pandemia, assim como mais tempo para que os recursos sejam utilizados. Em contrapartida, ambos votam projeto de Lei que endurece a punição para quem, sem qualquer crise de consciência, tira vidas ao desviar os recursos destinados ao combate da Covid19 ou ainda, os utilizam de forma relapsa.

Não é segredo que a pandemia não se extinguirá na virada no ano, ao som dos foguetes e ao brilho dos fogos de artifício. Por isso, garantir mais recursos e que os recursos sejam utilizados para proteger vidas neste ou no próximo ano é válido e fundamental. Punição mais rigorosa, também. Mas tanto em relação aos recursos quanto à punição, é preciso mais do que letras em papel, ainda que sejam letras com força de lei.

Isto porque, paralelamente à pandemia do Covid19, existe no Brasil a pandemia da corrupção, que evita que recursos públicos sejam de fato aplicados em favor do ser humano. Isso prova que os meios de fiscalização não são eficazes. Por isso, mais do que destinar recursos e pensar punições, é preciso acompanhar a aplicação do dinheiro, não somente por ser recurso público, fruto de impostos pagos pelos cidadãos, mas sobretudo para que de fato se construa uma rede proteção à vida, que não evitará o contágio, no entanto, será eficaz para evitar a perda de mais vidas.

E em tempos de eleição, mais do que nunca é preciso que não apenas as instituições e os poderes constituídos se atentem à aplicação dos recursos e não somente dos destinados ao combate à pandemia, como também de todo e qualquer recurso destinado a garantir os direitos do cidadão e promover qualidade de vida, principalmente nos municípios onde efetivamente a vida acontece. Porque assim como desviar os recursos ou aplicar de forma errada, guardar, deixando de aplicá-los em favor da população deve ser (ou ao menos deveria) considerado crime, pois também se constitui em atentando contra a vida. Então, sejamos todos vigilantes, porque fazer errado é incompetência ou problema de caráter e não fazer nada não prova competência ou comprova honestidade, apenas demonstra descaso com o ser humano.

 

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