O velho dilema dos professores

Editorial / 29/12/2020 - 00h01

Entra ano e sai ano e a novela com os professores contratados volta à tona em Montes Claros. De 2018 para 2019, enfrentaram uma batalha intensa pelo pagamento de salários atrasados, 13º salário e outros direitos. Chegaram a ocupar o gabinete do prefeito para que fossem ouvidos. O que demorou várias semanas.

Agora, o fantasma da exoneração assombra 6 mil profissionais que não têm a garantia de que terão emprego em 2021. São pessoas que tiveram que se reinventar nesse período de pandemia para manter a atenção e o interesse dos alunos pelo ensino - tarefa nada fácil. Muitos tiveram que tirar do próprio bolso o recurso para compra de computadores, pagamento de internet e outros investimentos para que pudessem dar as aulas de casa.

E, novamente, caem no limbo dessa situação recorrente de não ter o trabalho no ano que começa. O que essa categoria alega é que se apresenta como essencial para a educação em Montes Claros a realização de concurso público. O último ocorreu em 2009. Menos de 3 mil profissionais da rede municipal são concursados.

Isso gera uma grande instabilidade no sistema, pois é difícil até mesmo de dar continuidade ao planejamento pedagógico. Nem sempre o professor consegue vaga na escola em que atuava no ano anterior.

Passa da hora de o município enxergar a educação como investimento, como uma área essencial, e destinar a ela a atenção adequada. Não se pode trabalhar com a instabilidade gerada por exonerações a cada ano. Não se pode esperar dedicação, entrega e qualidade quando não há possibilidade de planejar a vida.

Que essa situação possa ser revista, assim como várias outras mazelas da educação em Montes Claros, para que a cidade possa construir uma história de respeito, dignidade e desenvolvimento de seus moradores.

 

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