Mulheres no poder

Editorial / 01/09/2021 - 00h18
Não é só na política que as mulheres brasileiras são sub-representadas. Em recente pesquisa, constatou-se que também no Judiciário elas ainda são minoria nos cargos de poder. A pesquisa “Diagnóstico da Participação Feminina no Poder Judiciário”, realizada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), comprovou a tese de que o Judiciário brasileiro ainda é reduto masculino e que, embora as mulheres estejam em maioria na população, ainda não conquistaram paridade com os homens em inúmeros setores.
 
A pesquisa, que traz informações de 90 tribunais, mostrou que as mulheres representam 35,9% dos magistrados e 56,2% dos servidores destas casas judiciárias. Outra constatação foi a de que, quanto mais elevado o nível na carreira da magistratura, menor é o índice de mulheres ocupando cargos.
 
Entre os juízes substitutos, por exemplo, a proporção de mulheres é de 44%, enquanto a proporção entre juízes titulares cai para 39%. No cargo de desembargadores, as mulheres são apenas 23%. Já as ministras dos tribunais superiores são apenas16%.
 
Isso mostra o quanto é difícil às mulheres acenderem a cargos superiores em incontáveis setores da sociedade.
 
Todos esses números são provas de que as mulheres ainda têm muito a conquistar e essas conquistas só acontecerão a partir do momento que elas assumirem cargos em setores estratégicos da sociedade, como é o caso do Judiciário, do Legislativo... 
 
São nesses espaços que as leis que interferem diretamente na vida social são criadas e cumpridas e, portanto, é ali que mora o poder. A partir da ocupação destes espaços é que as mulheres poderão transformar a realidade atual, garantindo a homens e mulheres, de verdade, os mesmos direitos.
 
Enquanto estes espaços, historicamente masculinos, continuarem dominados pelos homens, as mulheres continuarão sub-representadas. Mais do que isso, deixarão de dar sua real contribuição para uma sociedade efetivamente mais justa, não apenas do ponto de vista de gênero, mas, sobretudo, do ponto de vista socioeconômico e humanitário.
 
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