Liberdade, abra as asas sobre nós

Editorial / 07/09/2021 - 00h15

A letra de samba enredo antiga permanece atual quando pensamos nas comemorações do 7 de setembro. A data que celebra a independência do Brasil de Portugal devia ser mais do que um mero feriado no calendário ou mais do que desfiles pelas principais avenidas do país. Devia ser tempo de reflexão de busca da liberdade efetiva.

A independência que veio sem luta, através da voz de um membro da família real do país que mantinha o Brasil como colônia, impediu que a população local, os chamados nativos, ganhasse voz e lutasse de fato por sua liberdade, por seus direitos.

Já se vão quase 200 anos e nada mudou. Os brasileiros, ao contrário do que se comemora, não tem liberdade, continua algemado a uma política econômica externa que traz com ela a miséria, continua refém do coronelismo herdado dos tempos da coroa e, portanto, incapaz de ter voz no Congresso Nacional ou nas Assembleias.

Da Constituição, lei magna do país, sabe apenas os deveres, porque se de fato conhecesse os direitos não se emudeceria perante as inúmeras mazelas de que é vítima.

Diante da realidade, celebrar o 7 de setembro nada mais é do que promover pelo país afora apresentações teatrais como forma de manter o povo sob uma liberdade ilusória, sob uma democracia capenga e, assim, evitar que o famoso “populacho” se rebele, ganhe voz e vá em busca da verdadeira independência, de uma efetiva liberdade.

Esse, sem dúvida, parece ser o objetivo dos desfiles. Muito mais do que mostrar a força de uma nação, que apesar do brado heroico às margens do Ipiranga ainda não viu os raios fúlgidos do sol da liberdade, que embora gigante pela própria natureza e com riquezas mil que vão desde risonhos e lindos campos, de bosques cheios de vida e do ouro, permanece pequena e continua sendo roubada, vendo suas riquezas fazendo a prosperidade de outros povos.

Até que a liberdade abra suas asas sobre o Brasil, ele permanecerá sendo um sonho intenso, um raio vívido de amor e de esperança, ao invés de mãe gentil para sua gente.

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