Lúcidos e lúdicos

Editorial / 16/02/2021 - 00h01

O Carnaval já se tornou quase sinônimo de Brasil, de brasileiros. A festa que arrasta multidões e é patrimônio imaterial do país é mais do que tempo de beber até cair, sair pelas ruas travestido das suas fantasias, pulando e dançando. Carnaval é cultura, é a expressão do nosso povo e vai além: é uma forma coletiva de extravasar energias. Além disso, Carnaval é economia, é turismo, pois a festa não apenas atrai estrangeiros, mas, sobretudo, faz com que os brasileiros se desloquem pelos quatro cantos do país, num ir e vir que movimenta a economia, que lota os hotéis. Carnaval é o “Natal” dos ambulantes que fazem ponto nas imediações das avenidas, ruas e praças onde blocos e escolas de samba se apresentam.

Mas até isso a pandemia da Covid 19 conseguiu nos roubar. Sem fantasias, sem a alegria dos blocos de rua, sem os abraços, os beijos roubados na folia, ficaremos até mesmo sem famosos “amores de Carnaval”, que muitas vezes se transformam em um amor pra sempre. Passo a passo, o vírus vai ceifando vidas e criando em todos nós buracos afetivos. Já não se pode abraçar, beijar, apertos de mão estão proibidos... Sem contar a destruição que vai provocando dia a dia nas economias mundo afora. 

No entanto, o vírus desconhece a criatividade brasileira, aquele velho “jeitinho” brasileiro que pode ser usado para o bem e para o mal. Nestes dias “carnavalísticos”, o brasileiros tem dado um jeitinho de se animar: são lives de cantores do axé, bloquinhos em família, apresentações nas sacadas dos prédios, nas lajes e no alto dos prédios. Tudo para fazer ecoar a energia do Carnaval e varrer para longe a tristeza desses dias insanos, afinal, “quem canta, seus males espanta”.

Tempos estranhos exigem soluções criativas. O importante é não se deixar dominar pela apatia, pelo medo, pela tristeza. Vista sua fantasia mais louca, aumente a música, festeje, pule, cante, celebre a vida, a sua e de todos nós que estamos lutando para nos mantermos lúcidos e lúdicos no meio da loucura, de todos nós que seguimos sobrevivendo...

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