Insuportáveis crises

Editorial / 01/06/2021 - 00h02

Quando o Sistema Nacional de Meteorologia (SNM) emite alerta de emergência hídrica para um país como o Brasil, que tem 12% da reserva de água doce do mundo, é preciso uma reflexão aprofundada sobre o que temos feito da nossa água, como temos tratado os nossos rios e as nossas nascentes. Porque, sem dúvida, a solução dessa crise que se avizinha e de tantas outras ocorridas e as que poderão vir, passa por essas águas. 

O momento é de buscar solução imediata, já que a crise traz com ela não apenas a possibilidade de racionamento de água, situação pela qual os brasileiros passaram recentemente, mas, a reboque, vem a possibilidade de racionamento de energia, que, todos imaginaram, não se repetiria no país. Tudo isso, somado ao estado de pandemia vigente no país, transforma o futuro em cenário de terror. Aumentar a tarifa de energia, em um país onde o número de desempregados cresce diariamente e a renda cai, é inimaginável e sem precedentes. O resultado dessa somatória macabra não se sabe, mas é certo que a população, mais uma vez, vai para o sacrifício, como tem acontecido ao longo de 520 anos. 

Solução a médio e longo prazos é a recuperação e melhor preservação das nascentes e das matas ciliares, que podem ajudar a evitar as duas crises: hídrica e de energia. É uma questão de lógica e não de mágica. Para a crise energética, o caminho é mais curto. Sendo o Brasil um país abundante de luz solar e de ventos, investir mais e mais na energia solar e na eólica é a equação que pode evitar que crises hídricas e elétricas andem sempre de mãos dadas. Solução esta que já deveria estar em curso desde 2001, quando o país passou por uma série de apagões e sofreu um duro racionamento de energia.

Fica óbvio, nestes casos, que, mais do que nunca, é preciso garantir a preservação de nascentes e a recuperação das que se encontram degradadas, bem como investir em energia limpa. Não agir nessa direção é sepultar a crença em um amanhã melhor, é decretar que teremos que viver à mercê de mais crises do que qualquer ser humano pode suportar. 

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