Inconsequente aglomeração

Editorial / 17/02/2021 - 00h01

O noticiário dos últimos quatro dias chega recheado de notícias sobre festas clandestinas, aglomerações em bares e praias, com pessoas se divertindo sem respeitar as determinações sanitárias que podem impedir que o coronavírus se alastre ainda mais. Os dias que deveriam ser destinados a um Carnaval que, em nome da coletividade, foi cancelado, sugere que a pandemia, que no início teve como marca a solidariedade e a empatia, trouxe com ela nesta fase a irresponsabilidade social.

Tudo indica que a chegada da vacina, que em função da pequena quantidade ainda se destina a uma parcela bem restrita da população, e a inconsequente irresponsabilidade, principalmente dos mais jovens e que estão quase no final da fila dos grupos a serem vacinados, podem provocar uma catástrofe ainda maior do que já vivenciamos. 

Sem saber como lidar com tamanha falta de consciência e de coletividade, estados e municípios recorrem mais uma vez a decretos, leis e multas para tentar coibir as aglomerações. Mas as pessoas que se aglomeram parecem alheias a decretos e leis e, o mais grave, dispostas a pagarem multas por uma liberdade leviana. Junte-se a elas, comerciantes também inconsequentes, que parecem terem se esquecido de tempos nada distantes em que foram obrigados – eles e todos os conscientes que cumprem as regras – a manterem as portas completamente fechadas. Talvez, com objetivo de recuperarem os prejuízos de outrora, não estejam pensando que tais tempos podem retornar, trazendo mais prejuízos.

A estas pessoas que covardemente colocam em risco não apenas a si mesmos, suas famílias, suas comunidades e até mesmo seus empreendimentos, mas toda uma sociedade, fica o alerta de que o vírus, ao contrário do que muitos imaginam, não tem um grupo com características definidas para infectar, mas infecta de forma aleatória e, portanto, os desvarios cometidos em nome de uma liberdade instantânea podem implicar em muito mais do que uma leve infecção... O certo mesmo é que consciência e solidariedade não são demais em situações e realidade como as que vivenciamos atualmente.

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