Força que vem do campo

Editorial / 15/08/2020 - 00h01

Os números de 2020 do setor agropecuário em Minas Gerais mostram uma realidade extremamente positiva, na contramão do que se verifica em diversos segmentos econômicos, impactados pela pandemia de Covid-19. Não só houve aumento de 6,4% na safra de grãos em relação a 2019 como o volume de exportações nos sete primeiros meses do ano apontam para um superávit da ordem de US$ 4,5 bilhões e um volume de vendas que deve chegar a dezembro superando os US$ 9 bilhões. Com vários casos de países que, mesmo igualmente atingidos e impactados pela Covid-19, aumentaram o volume comprado dos produtores do Estado.

Uma resposta mais do que relevante a algo que, para muitos especialistas, seria um fator desfavorável para as contas mineiras: a prevalência de agricultura, pecuária e do minério na pauta de exportações. Os dois primeiros um pouco menos, e o terceiro mais, sujeito à volatilidade dos mercados. Além de teoricamente, por se tratarem de bens primários, serem menos valorizados e remunerados em relação ao volume produzido.

Não se pode, de forma alguma, ignorar ou desencorajar vocações históricas e competências amplamente estabelecidas. Evidentemente a diversificação e a diferenciação na oferta de produtos e o investimento na manufatura de alta tecnologia são objetivos a serem alcançados, de forma complementar à atual oferta. E como demonstram momentos como o atual, vêm justamente do agronegócio os números que não apenas mostram a pujança do setor, mas também representam a manutenção e mesmo a criação de empregos num cenário delicado. A alta recente do dólar fez com que a receita obtida se multiplicasse e, mesmo em tempos de incertezas, as perspectivas futuras são bastante positivas.

Melhor de tudo é constatar que muito desse otimismo vem do aumento da produtividade e da preocupação cada vez maior com o produto acabado. Além dos cafés nobres, admirados em todo o mundo, queijos, azeites e vinho ganham qualidade e reconhecimento. O que abre perspectivas para toda uma cadeia produtiva e hoje já chega a 162 países. O campo hoje tem a possibilidade concreta de ser o principal motor da recuperação econômica do Estado e, por isso, mais do que nunca merece ser apoiado e fomentado. O resultado se vê nas mesas, mas principalmente nas contas públicas.

 
 
 

 

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