Eterna vigília

Editorial / 07/06/2017 - 00h47

Um país que não lê é um país sem história, sem memória, já nos repetiram os sábios. Pior para a nação que se vê refreada de leitura. Privada de saber a sua realidade. No Brasil mais recente isso ocorreu por mais de uma vez. No Estado Novo de Getúlio Vargas, em 1937, e no regime de exceção dos militares, em 1964. Nas duas ocasiões, a censura à imprensa foi institucionalizada. Só se escrevia ou dizia o que fosse de agrado dos ditadores. Nas redações, atropelando jornalistas, esmiuçando seus textos, deformando-os, surgiram bizarras figuras, os censores, que se ocupavam até da pauta do dia, impondo sem rodeios a censura prévia.

Isso pode! Isso não pode!

Sim. Com todas as exclamações possíveis.

A liberdade de imprensa é tudo que os ditadores, os criminosos não querem, porque ela leva ao debate, às opiniões, à democracia. Atualmente no Brasil a impressão é de que vivemos o cimo do direito de expressão e de liberdade de imprensa com tanta roubalheira denunciada e se dando nomes aos ladrões. A impressão não é de toda falsa. Mas devemos permanecer vigilantes. A imprensa brasileira, aliás, se tornou o vigilante maior do país. Todas as fichas são depositadas nela, como se somente ela - e parece ser -, tivesse condições de passar o país a limpo.

Se a imprensa for impedida do seu papel, se lhe tomam a liberdade de mostrar a realidade do país, certamente teremos de começar tudo de novo pelo direito à verdade, do zero, como foi feito nas décadas de 1950 e 1960. Não queremos isso mais uma vez.

Assim, neste Dia da Liberdade de Imprensa, é oportuno repetir o sábio: “o preço da liberdade é a eterna vigilância”.

A imprensa brasileira parece ser a única instituição capaz de passar o Brasil a limpo, denunciando roubos e nomeando os ladrões

 

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