Era uma vez, um povo que queria trabalhar...

Editorial / 23/10/2020 - 00h21

Era uma vez, uma cidade, lá no Gerais das Minas, no Norte mesmo do Estado, onde o prefeito decidiu impedir o povo de trabalhar. De decreto em decreto, ele foi fechando a cidade... De tanto decreto que fez, até se atrapalhou algumas vezes. Mas o mais sério dessa estória, que na verdade é uma história de verdade, é que ele impediu não apenas o povo de trabalhar, mas levou pais e mães de família às lágrimas por verem seus filhos pedindo um pão e eles sem condições de alimentar a família. Tendo ele, o prefeito, um salário de marajá, pago com os impostos gerados com o suor desses pais e mães de família, e que mês a mês é debitado em sua conta, ele não se comoveu com aquelas lágrimas.

Se trancou em casa e, sem respeitar o direito constitucional de ir e vir do cidadão, tentou aprisionar todos. Liberou supermercados e restaurantes e legou o restante a se virar para sobreviver e para manter suas famílias. Mas se os trabalhadores de supermercados e farmácias podiam trabalhar e correr o risco de pegar a Covid-19, por que os outros setores, aqueles que decidissem se arriscar, não tiveram a mesma chance? Vai entender, né?!

Se ele bem pensasse, ou melhor, se ele tivesse feito o dever de casa durante os três anos à frente do município e tivesse desde sempre zelado pela saúde do seu povo, mantendo um sistema público de saúde digno e com capacidade de receber todos aqueles que ali buscassem socorro, não teria precisado fechar a cidade. Caso tivesse investido na saúde, poderia ter deixado o cidadão escolher se saía ou não de casa, se se sentaria no bar para tomar uns goles, se almoçaria ou jantaria em restaurante, se comemoraria seu aniversário ou se passaria a data só, se queria aglomerar ou se isolar. Mas sem ter feito o dever de casa, de garantir outro direito constitucional ao cidadão, de ter acesso ao sistema público de saúde, só restou a ele mandar prender o povo e deixar não apenas muita gente a pão e água, mas inúmeras famílias sem ter o que comer.

Quando a falência bateu à porta dos comerciantes... ele teve uma ideia genial. Mas isso eu só conto amanhã.

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