Em ondas, como um mar

Editorial / 05/06/2021 - 00h17

A notícia de que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) avaliará novamente os pedidos de importação das vacinas SputnikV (russa) e a indiana Covaxin contra a Covid-19 traz alívio em momento crucial, quando especialistas alertam, não apenas sobre a chegada da variante indiana, mas sobretudo sobre uma nova onda, ainda mais letal que as duas já vividas no Brasil.

Embora dados indiquem uma ligeira redução nas taxas de mortalidade pela Covid-19, os leitos dos hospitais permanecem no limite, bem como as dificuldades para aquisição de medicamentos fundamentais para quem precisa de UTI, além dos profissionais da saúde que seguem exaustos.

Diante desse quadro, a possibilidade de o Brasil poder importar uma quantidade maior de vacinas e, assim, acelerar o processo de vacinação no país, traz quase um conforto. Só assim será possível minimizar os efeitos de uma nova onda.

O alerta sobre a possibilidade de uma nova onda é em função de indicadores monitorados por algumas instituições, como a Fiocruz, mostrarem intensa circulação do vírus, o que, para especialistas, gera a oportunidade para o surgimento de novas variantes.

Uma nova onda, no cenário atual, pode representar um aprofundamento ainda maior da crise na saúde, bem como barrar o crescimento da economia, que começa a dar os primeiros passos em direção à recuperação. 

Certeza mesmo de que uma nova onda atingirá o Brasil, ninguém tem, mas a chegada da cepa indiana é um indicativo de que, se depender do vírus e das suas várias versões, a possibilidade é grande. Analisando os estragos feitos pela onda atual, é possível afirmar que o Brasil, mesmo após dois anos de pandemia, ainda não está completamente preparado para lidar com a Covid-19.

Com a atual estrutura já comprometida, uma nova onda pode significar, portanto, um número ainda maior de óbitos. Por isso, é fundamental não apenas conter o vírus e o contágio, mas, sobretudo, melhorar a estrutura da saúde, porque de acordo com o que se tem observado no mundo, ainda vamos viver mais algumas ondas.

É preciso muito fôlego para pular, furar, resistir a tantas ondas... Só assim não nos transformaremos em vítimas de afogamento. 

Uma nova onda, no cenário atual, pode representar um aprofundamento ainda maior da crise na saúde

 

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