Em defesa da vida

Editorial / 14/09/2021 - 00h02

Setembro chega anunciando a primavera, tempo das flores, que de forma subjetiva nos remete a tempos felizes. Mas setembro é também de reflexão sobre a fugacidade da vida e, sobretudo, como ajudar quem tem dificuldades em lidar com sua realidade.

Esse foi o mês escolhido pela Associação Internacional de Prevenção do Suicídio para a campanha Setembro Amarelo, que é uma estratégia importantíssima para conscientizar milhões de pessoas sobre a realidade, muitas vezes camuflada, de quem está na iminência de tirar a própria vida e, sobretudo, as formas de prevenção, de ajudar, de como estender a mão para essas pessoas.

Saber ouvir a dor do outro, enxergar o pedido de socorro e, principalmente, encontrar formas de ajudar efetivamente. Esse é o sentido da campanha, porque os números são trágicos.

No Brasil, pelos números oficiais, são 32 brasileiros mortos diariamente, taxa superior às vítimas da Aids e da maioria dos tipos de cânceres. Esse, sem dúvida alguma, é um mal silencioso que afeta milhares de lares.

Os ritos sociais são, na maioria das vezes, fatores que levam os mais sensíveis, que sofrem da dor d’alma a se esconderem e, sobretudo, a se calarem, aprisionarem sentimentos, até que a dor insuportável traz a vontade de tirar a vida, não como forma de se punir, mas para acabar com a dor que corrói por dentro.

A correria da vida e o egocentrismo da sociedade moderna também são fatores que ajudam no aumento desses números, porque são os antolhos que impedem o ser humano de enxergar a essência do próximo, ainda que este próximo esteja à sua frente.

Se nove em cada dez casos poderiam ser evitados e não o são, a sociedade está mesmo doente. Como não conseguimos evitar estas e outras tragédias diárias? Talvez, a pandemia da Covid-19,com o frear da correria, tenha nos obrigado a olhar o outro sob uma nova perspectiva, aflorando em nós a empatia, nos obrigando à solidariedade...

Então, que setembro chegue trazendo não só a primavera, que colore a vida, mas a conscientização necessária sobre tema tão profundo e doloroso. 

Que a solidariedade, a empatia e o cuidar do outro sejam não apenas consequência de uma lição, mas consciência de que todas as vidas importam e que precisamos estar atentos a todas e a cada uma delas!

 

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