E o gás, hein?

Editorial / 19/10/2021 - 00h01

Assim como o combustível, o gás de cozinha se transformou em pedra no sapato da economia, mas, sobretudo, em uma equação que o consumidor não tem conseguido resolver com facilidade. Ante as constantes altas, que vêm em combo com o aumento da cesta básica, por exemplo, e que juntos corroem o poder de compra do brasileiro, muitos têm optado por voltar a usar o velho e mais econômico fogão a lenha.

Diante da situação, a Câmara dos Deputados decidiu buscar uma solução para ajudar o cidadão a sair do sufoco, começando por questionar o monopólio da Petrobras no setor. Uma das soluções que está tem ganhado força na Casa Legislativa é acionar o Cade - Conselho Administrativo de Defesa Econômica com o objetivo de apurar possíveis abusos econômicos, já que estudos identificaram que o gás é extraído a pouco mais de dois dólares e no caminho até o consumidor vai recebendo aditivos e acaba por custar cerca de 10/12 dólares. Os deputados querem explicações plausíveis para essa diferença entre o valor real de extração e o preço final.

Enquanto a solução não chega, o brasileiro se desdobra para fazer caber as suas necessidades básicas dentro de um orçamento cada vez mais dilacerado, usando de toda a criatividade possível para se esquivar da inflação. Seja trocando o gás pela lenha, a carne por osso, a energia elétrica pelos lampiões a querosene, nós estamos retrocedendo no tempo, quase de volta aos anos 50? 40? 30?... Apesar das muitas tecnologias, do desenvolvimento que segue seu curso, a inflação tem levado os brasileiros a voltar quase um século para que consiga chegar sobreviver à pandemia, à falta de saúde, à falta de infraestrutura e agora, até a falta de alimentos. 

Que de fato o Congresso encontre a solução, não apenas para o preço justo do gás, mas principalmente para devolver aos brasileiros a dignidade de uma vida em que no orçamento caiba o gás, mais do que a cesta básica, saúde, educação, lazer e tudo que têm direito ante a carga de impostos que são obrigados a pagar.

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