Dona Baratinha tem dinheiro na caixinha

Editorial / 03/10/2020 - 00h01

Em audiência pública na Câmara de Vereadores, a Secretaria de Saúde de Montes Claros, através dos seus funcionários, apresentou os números da Covid-19. Mas o que se viu mesmo é que, para a administração, mais vale dinheiro em caixa do que a proteção à vida. Com quase R$ 44 milhões para o combate à Covid 19, o município não tem se preocupado em testar a população, ferramenta efetiva para se ter um desenho real do comportamento do vírus e, a partir desse desenho, construir políticas públicas que sejam capazes de proteger o cidadão.

Essa seria, sem dúvida, uma forma eficaz e sensata de cuidar do cidadão. Mas não. O que se fez foi trancafiar mais de 400 mil pessoas em casa, sob o argumento de que o vírus é letal. O vírus é letal e, de fato, tem ceifado vidas. Por isso, os cuidados precisam ser diários. Mas, mais letal do que o vírus é a falta de planejamento. Apenas promover campanhas “Fique em Casa” não protege vidas, mas simplesmente posterga o problema. 

Pior do que isso é achar vantajoso guardar recursos para usar futuramente. Isso é condenar a população a cair diante do vírus, é não dar garantias a quem precisa trabalhar para sobreviver, de que terá segurança ao sair de casa. É para isso que servem as políticas públicas, para amparar, dar segurança, apontar caminhos e ser um referencial para a população.

Se não existe política, não existe segurança. Para promover esse cuidado, o poder público nem precisava ter fechado a cidade toda, bastava preparar o sistema público de saúde para lidar com os diversos quadros que se apresentassem ou que se apresentarão, já que a pandemia não foi extinta. Essa era a obrigação, que não foi cumprida. O que se viu foram Hospitais de Campanha fechados, com equipamentos encaixotados, falta de médicos e medicamentos nos postos de saúde, expondo a desorganização que os recursos em caixa não foram capazes de comprar.

Usar de todos os recursos, sejam eles financeiros ou não, para proteger sua gente, para levar segurança a seu povo, para dar qualidade de vida ao cidadão e para garantir que seus direitos constitucionais, sejam eles o acesso a um sistema público de saúde de qualidade, o acesso a um sistema público de educação, e também o direito de ir e vir, é demonstrar zelo com a vida. O contrário disso, é total falta de sensibilidade.
 
 
 

 

Publicidade
Publicidade
Comentários