Dia Mundial do Coração

Editorial / 29/09/2021 - 00h58

Lucas Gurgel Tiso*

A cada 10 pessoas que estão lendo este artigo, 2 são hipertensas e não sabem do diagnóstico. Dia 29 de setembro comemoramos o Dia Mundial do Coração, cujo objetivo é alertar para a importância do cuidado com as doenças do sistema cardiovascular. Dentre as doenças que acometem esse sistema, a de maior prevalência é a hipertensão arterial sistêmica (HAS), que, apesar de também ser a mais conhecida da população, ainda é foco de muitos mitos.

A prevalência da HAS na população brasileira varia entre 22% a 44%. Uma grande parcela dos pacientes desconhece serem portadores, e a cada 10 pacientes que sabem ter o diagnóstico de HAS, 4 ainda não estão em tratamento. Boa parte da população acredita que a dor de cabeça é um dos principais sintomas associados à hipertensão arterial sistêmica e não busca atendimento para rastreio. A verdade é que na maioria dos casos a pressão arterial se eleva progressivamente, ao longo dos anos, o que permite mecanismos de adaptação no sistema cardiovascular do paciente, sem desenvolver sintomas.

O número de pacientes portadores de HAS aumenta com a idade, chegando a acometer 70% da população acima de 70 anos. Neste dado estão incluídas pessoas atletas com alimentação mediterrânea e tabagistas sedentários. Digo isso porque muitas vezes o paciente é diagnosticado com HAS e desconfia do diagnóstico com base na premissa de que ele, o paciente, não sente nenhum sintoma e pratica atividade física diariamente. Mas, então não adianta realizar a prevenção? Não é isso que eu escrevi! Individualmente, o risco de desenvolver HAS é reduzido significativamente com atividades preventivas, próximo tópico que vou abordar.

Existem fatores de risco cardiovascular que são modificáveis, ou seja, a partir de ações do indivíduo é possível manipular o risco de desenvolver HAS. Alguns deles são o tabagismo, a obesidade, o consumo de álcool, alto consumo de gorduras saturadas e estilo de vida sedentário. Ter uma vida saudável significa então cessar o tabagismo, evitar o consumo de álcool superior a 20g por dia para homens e 10g por dia para mulheres, ter boa alimentação e praticar atividade física.

Por boa alimentação entende-se o consumo de pelo menos 3 porções de frutas e vegetais, 2 porções de peixe por semana, em torno de 30 a 45 g de fibras por dia, reduzida quantidade de alimentos industrializados e gorduras saturadas. Quanto à atividade física, os estudos mostram que 30 minutos por dia, 5 vezes por semana, com intensidade moderada, é o suficiente para modificar os fatores de risco cardiovascular.

*Coordenador Médico da Amparo Saúde


 

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