Desesperança

Editorial / 14/10/2021 - 00h08

A pandemia de Covid 19 não apenas ceifou muitas vidas, mas provocou o aumento da fome ao redor do mundo. Famílias e mais famílias perderam seus empregos, suas fontes de renda e como consequência a capacidade de se sustentarem. O mundo ficou mais pobre de pessoas e economicamente mais pobre. Muitos países, principalmente os mais pobres, têm travado lutas inglórias para levar vacinas para sua gente e, ao mesmo, ter tempo para reorganizar sua economia. A necessidade constante de fechamento de cidades e de países trouxe a pandemia para dentro da economia e fez a pobreza se tornar, em diversos cantos do mundo, quase uma endemia.

Embora o famoso FMI- Fundo Monetário Internacional estime, após estudos e levantamentos diversos, que a pobreza deve regredir em 2021, os números são catastróficos e apresentam uma realidade cruel, onde mudanças cabem apenas na esperança e na fé de cada povo. Apesar da previsão de declínio, em comparação com 2020, os dados mostram que a pobreza ao redor do mundo ainda estará acima do projetado e muito, muito acima de aceitável para uma humanidade que se mostrou, sobremaneira, solidária durante o auge da pandemia.

Os números, mais do que um retrato atual do mundo, traduzem desesperança. São quase 75 milhões de pessoas vivendo na pobreza. Embora se diga que os números possam mudar a partir da recuperação econômica dos países, é certo que não haverá mudança radical. Certamente, a maior parte das pessoas que compõem essa projeção macabra vive em países pobres, onde a economia está em colapso e, portanto, terão muito mais dificuldades em se restabelecer e devolver a suas populações a pouca dignidade perdida durante a pandemia.

O certo é que enquanto não se fizer uma força-tarefa para mudar esses números e transformar essa realidade, a pobreza persistirá. Até que a humanidade se envergonhe da situação e decida ser verdadeiramente solidária, não apenas com o amigo, com o vizinho ou com quem está ao seu redor, as pessoas continuarão morrendo, não mais de Covid, mas de fome.

Muitos países, principalmente os mais pobres, têm travado lutas inglórias para levar vacinas para sua gente e, ao mesmo, ter tempo para reorganizar sua economia

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