Desemprego desgovernado

Editorial / 01/04/2021 - 00h41

A pandemia da Covid-19, além de provocar o colapso na saúde, aprofundou a crise pela qual já passava a economia brasileira. Mesmo usando a criatividade para se reinventarem profissionalmente, os brasileiros não foram capazes de diminuir os índices de desemprego. O número de desempregados vem crescendo vertiginosamente.

Prova disso são os dados divulgados esta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o IBGE, a taxa de desemprego no Brasil atingiu o índice de 14,2% no trimestre que terminou em janeiro. É o maior índice de desemprego já registrado, pelo Instituto, para este mesmo período desde o início da pesquisa, que começou em 2012. 

O número de desempregados também bateu recorde, já que em um ano foi de 11,9 milhões para 14,3 milhões de pessoas. O maior índice já registrado anteriormente era 14,1%, em 2017, no trimestre que teve março como mês de encerramento. E as más notícias não param por aí. A taxa de informalidade subiu para 39,7% da população ocupada e, o mais trágico, falta emprego para 32,4 milhões de brasileiros.

Diante de tudo que temos vivido, não é mais possível olhar friamente para os números, para as porcentagens sem imaginar as pessoas, as famílias, as vidas por trás de cada um deles. As pessoas que compõem essa estatística, fatalmente e infelizmente, na sua maioria compõem outras estatísticas que mostram o tamanho do buraco que a pandemia nos enfiou: as estatísticas da pobreza e da fome. Sim, são esses números que se transformados em cidadãos estão nas ruas pedindo um prato de comida, morando embaixo de lonas e marquises ou, literalmente, morrendo de fome em algum canto do país.

Tanto quanto cuidar da saúde e dos nossos doentes, faz-se urgente cuidar da economia e do cidadão que, ao perder seu emprego, perdeu junto a capacidade de sustentar a si e à sua família, perdeu a dignidade e sozinho não terá condições de se reerguer. 

Sabemos o quanto todos estão lutando. Muitos, inclusive, lutando várias guerras simultaneamente. Mas é preciso, mais do que nunca, estender a mão e ajudar a levantar, levantar principalmente quem tem fome.

 

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