Desafios

Editorial / 15/04/2021 - 00h03

A esperança que chegou com a vacina ainda não trouxe efetivamente dias menos turbulentos. A saúde permanece na UTI e a economia não saiu do fundo do poço. É indiscutível que muitos dos desafios que chegaram com a pandemia um ano atrás permanecem insolúveis e o mais aterrador é saber que ficarão por aqui, no pós-pandemia.

Se a saúde e a economia são questões mais recorrentes, por afetar a população em sua totalidade, não se pode deixar de citar o caos na educação, que já era notório antes da chegada do vírus, piorou durante o atual cenário e, certamente, ficará como herança desses dias sombrios. 

Isso porque, dia a dia, a desigualdade no ensino brasileiro vai se aprofundando a olhos vistos. Se a educação pública já estava doente, agora, assim como a saúde, foi parar na UTI. A qualidade da educação pública oferecida a crianças e jovens ficou ainda mais comprometida em função das aulas remotas. 

E, ao contrário do que muitos julgam, os professores não são a causa desse desequilíbrio, mas tão vítimas quanto os estudantes. Sem a devida valorização e sem as condições necessárias para levaram o conhecimento aos alunos, muitos estão frustrados, alguns em depressão e outros muitos estão usando o próprio salário para não comprometer ainda mais a educação dos estudantes.

Se para os professores não existe valorização, o que dizer da situação de jovens e crianças que não têm condições de estudar em escolas particulares? Para eles, a pandemia trouxe uma realidade ainda mais decepcionante, já que muitos não têm os recursos necessários nem para a sobrevivência, que dirá para ter um computador ou celular de qualidade para assistir às aulas remotas ou, ainda, para pagar por uma internet com “força” suficiente para que possam ter acesso à escola virtual.

Todos estes são desafios que já estavam postos antes do vírus, que se agravaram durante a pandemia que estamos vivendo e para os quais teremos que buscar soluções. Até que essas questões sejam de fato sanadas, o Brasil permanecerá estatístico, sem condições de dar qualquer passo em direção a um futuro, em direção a dias melhores de fato.

 

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