Como nos tempos medievais

Editorial / 09/01/2021 - 00h01

Quatro em cada dez brasileiros não contam com tratamento de esgoto. Os dados fazem parte de um estudo realizado pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Snis), da Secretaria Nacional de Saneamento, do Ministério do Desenvolvimento Regional.

O último levantamento mostra que cerca de 2,6 milhões de brasileiros que vivem em centros urbanos tiveram suas residências interligadas à rede de esgoto durante o ano de 2019. Embora este número represente um aumento de 2,5% da população urbana atendida pelo serviço em comparação a 2018, a cobertura de esgotamento sanitário ainda é baixa no país, beneficiando apenas 61,9% da população das cidades.

Quando se considera as pessoas que vivem longe dos centros urbanos, o índice médio geral de atendimento por rede de esgoto cai para 54% da população. Uma abrangência baixa em pleno século 21. É inconcebível pensar que ainda há crianças e adultos que adoecem porque tem esgoto jogado a céu aberto, sem qualquer tipo de coleta ou tratamento.

Além de ser um problema de saúde pública, a falta de saneamento básico tem impacto direto no meio ambiente. O esgoto não coletado e não tratado vai parar em córregos, rios e mares. Uma poluição que causa estragos e prejuízos em cadeia.

É como se o país estivesse ainda na época Medieval. Situação que aflige diretamente os moradores do bairro José Corrêa Machado, em Montes Claros. Eles reclamam do esgoto que corre a céu aberto na comunidade, expondo todos a riscos de contrair doenças, sem contar que conviver com o mau cheiro não é tarefa fácil, ainda mais no calorão da cidade.

Estudos apontam que, a cada R$ 1 investido em saneamento básico, são economizados R$ 4 em gastos com a saúde da população. Será preciso ter uma explosão de doenças no bairro, aumentando a demanda da tão combalida saúde municipal, para que uma providência seja tomada?

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