Atrocidades

Editorial / 27/03/2021 - 00h30

Em meio à pandemia que isolou famílias, que tem impedido beijos e abraços e, principalmente, tem nos roubado valiosas vidas, nós estamos assistindo, desde segunda-feira, a um verdadeiro filme de horrores ante a absurda notícia sobre a morte do pequeno Henry.

Notícia que nos dilacera, que nos faz em pequenos pedaços... Em tempos em que a solidariedade se tornou pilar para nos sustentar a todos, ver uma criança indefesa ter uma morte tão brutal torna a dor que estamos vivenciando dia a dia ainda maior. 

É uma tristeza tão grande ouvir as notícias sobre o caso, saber o quanto ele foi machucado. Uma tristeza que só não é maior do que a que nos vem ao imaginarmos o quanto ele sofreu, as dores que sentiu e, sobretudo, a solidão que deve ter sido passar por tudo isso, sem um acalento. 

Ao contrário, Henry parece ter conhecido essa dor, inimaginável até para o mais forte dos mortais, pelas mãos de quem deveria cuidar dele, protegê-lo, amá-lo. É certo que ainda não se tem provas de quem teria cometido esse crime hediondo, mas quem quer que tenha sido, está muito, mas muito distante de ser considerado ser humano. 

Não se sabe ainda o resultado da investigação, nem se a Justiça vai chegar a alguma conclusão para que ocorra punição. O que sabemos é que há muitos Henry por aí, precisando de socorro, de amor, sem uma vida sem dor. Se a pandemia veio, como dizem, para que o ser humano se modifique e passe a dar valor ao que de fato precisa ser valorizado, ou ainda, para uma nova sociedade, menos individualista, a lição se perdeu.

Só nos resta, diante de tão grande e dolorosa tragédia, nos agarrar à esperança de que lições como sorrir com os olhos, abraçar com o coração, ser solidário com o próximo, dividir dores e alegrias mesmo a distância, se tornem atitudes cotidianas e que, aqueles que não se encaixarem na nova sociedade que surgirá a partir disso, possam ser banidos de qualquer convívio social, porque talvez a solidão e as dores advindas dela possam “humanizá-los”. Porque, afinal, a esperança é a última que morre e, atualmente, é o combustível que nos move. Vá em paz Henry. 

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