As mazelas do sistema de saúde

Editorial / 15/10/2020 - 05h23

 

A pandemia da Covid-19 permitiu que os municípios brasileiros recebessem recursos impensados antes do vírus se disseminar pelo mundo. Mas esses mesmos recursos estão escancarando a realidade do sistema público de saúde, principalmente nos municípios. O aporte de verbas tem provado que mais do que um problema financeiro, como muitos apregoam, os problemas na saúde estão na gestão, ou na falta dela, de quem foi escolhido pelo povo para cuidar da cidade e da população.

Montes Claros, por exemplo, com mais de 400 mil habitantes, recebeu recursos que beiram à casa dos R$ 200 milhões. Números oficiais não se tem, prestação de contas de quanto foi recebido e como foi gasto, também não. Mas se esses números não estão à mostra, as mazelas são mais do que transparentes. O que a população percebe, ou melhor, sente na pele, é a falta de assistência quando precisam buscar atendimento em um PSF ou em uma UPA. Não se tem médicos, não se encontram remédios e os testes? Acabaram... 

Mas no caixa do município sobram recursos. Por que não utilizam os recursos em favor da população, para garantir um atendimento digno a quem precisa? Não se tem uma resposta... Guardar esses recursos e legar a população a um descaso mortífero beira o sadismo e deveria ser punido.

A lição que se tira, portanto, é que abundância de recursos não é solução para que o povo receba o tratamento que merece. Não foi um, nem foram dois os relatos de quem precisou usar o sistema de saúde e deu com a cara na porta. Mesmo com recursos sobrando em caixa, essa é a realidade enfrentada pela população da maior cidade do Norte de Minas. 

População lançada à própria sorte, perecendo à míngua, é mostra de que para se ter uma gestão humana é preciso mais do que recursos, é preciso sensibilidade, é preciso ter a consciência de que a finalidade de uma gestão pública é o ser humano, na sua essência.

Mas, por aqui, desde muito, o cidadão deixou de ser prioridade, perdendo lugar para obras, que além de perpetuarem os nomes desse e daquele, perpetuam esse e aquele no poder, mas, mais do que isso, perpetuam a mazela do sistema de saúde. 

 

Publicidade
Publicidade
Comentários