Armas que voam

Editorial / 06/06/2017 - 00h01

O NORTE aborda hoje os riscos que guarda o uso de cerol. A intenção não é outra senão reforçar alerta do quão perigoso isso é. E o faz porque ouvidos e olhos ainda permanecem surdos e cegos às suas consequências.

Em Montes Claros, felizmente, o número de vítimas não é proporcional ao hábito criminoso de soltar pipas com essas armas voadoras. Mas não deixa de ser preocupante. O cerol é uma arma mortal. É uma mistura de cola com pó de vidro grudado aos barbantes que tem a estúpida finalidade de torná-los extremamente cortantes para derrubar pipas alheias no ar. As vítimas, porém, acabam colhidas aqui na terra, na figura de alheios ciclistas, motociclistas e pedestres.

O perigo do cerol, aliás, não se restringe aos que estão em solo. Quem está no ar, às vezes, é surpreendido também. Foi o que aconteceu no ano passado.
Dois helicópteros, Arcanjo, do Corpo de Bombeiros e Pegasus, da Polícia Militar, em Montes Claros, foram atingidos por linhas com cerol. As duas aeronaves sofreram danos, mas pousaram com segurança. Outro alívio: a tripulação desceu ilesa. Poderia ter sido diferente.

Já em solo, também no ano passado, foram registrados três acidentes de pessoas cortadas pelo composto de cola e pó de vidro. Resumo: não se tem notícia da prisão dos responsáveis em nenhum dos casos abordados na reportagem. Até mesmo porque não é fácil descobri-los, embora se saiba que a sua maior parte é composta de crianças, jovens.

O que assusta, mesmo, é saber que entre eles estão homens barbados, que deveriam educá-los. Poderiam até dizer que o fazem, mas de forma avessa, ensinando os incautos a conseguir o melhor cerol. Do tipo chileno, de preferência.

O cerol transforma os barbantes em armas voadoras, mas os alvos - ou vítimas, nem sempre estão no ar, mas na terra em forma de gente.

 

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