Arma eficaz

Editorial / 20/10/2020 - 00h01

O povo quer asfalto? Quer, porque ninguém gosta de viver na poeira e na lama. Mas o administrador público, principalmente aquele que recebeu do povo a missão de gerir uma cidade, precisa ir além disso. Precisa ser capaz de oferecer asfalto, mas também precisa garantir acesso à saúde, precisa oferecer uma educação de qualidade e, mais do que isso, precisa olhar para o cidadão e enxergar não como aquele cidadão pode ajudá-lo a perpetuar esse e aquele grupo no poder, mas enxergar uma vida.

Asfalto não traz qualidade de vida para quem não tem emprego e não tem como garantir para sua família o pão de cada dia. Asfalto não traz alívio para quem está doente e não tem acesso a exames, a remédios e a cuidados necessários. Asfalto, sem transporte escolar que permita que a criança chegue em segurança na escola, não tem serventia. Asfalto em ruas mal iluminadas ou sem qualquer iluminação não leva a lugar algum... E mais, asfalto para quem não tem um transporte público eficiente é ineficaz... Ninguém vive de asfalto, ninguém come asfalto, asfalto não devolve a saúde perdida por falta de assistência ou a vida que se esvai por ausência do medicamento.

Dizer que uma administração é eficiente baseada no asfaltamento de ruas que, ao cair das primeiras chuvas se perde na enxurrada, é uma tentativa torpe de fazer o povo acreditar que o dever está sendo cumprido, que a autorização para administrar a cidade está sendo honrada, quando, na verdade, o que se tem feito é apenas enfeitar a cidade, esquecendo o ator principal, aquele que faz a cidade funcionar, pulsar: o cidadão! 

Que o cidadão use o voto como arma não apenas para se defender de administradores que enxergam apenas a si mesmo, mas como arma para construir uma cidade melhor, humanizada de fato, uma cidade onde o cidadão seja mais do que um mero eleitor, seja o ser humano, que deve ser visto, ouvido e, sobretudo, respeitado.

Ninguém vive de asfalto, ninguém come asfalto, asfalto não devolve a saúde perdida por falta de assistência ou a vida que se esvai por ausência do medicamento
 

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