A presença da mulher na política

Editorial / 02/09/2020 - 00h01

Mais uma eleição se avizinha, e, embora a lei eleitoral determine que os partidos precisam ter, dentre os que são candidatos ao Legislativo, 30% de mulheres, a política ainda tem uma face masculina. Reflexo do fato de o Brasil ter incluído as mulheres na política há um tempo relativamente curto, pois só em 1934 as restrições ao voto feminino foram eliminadas do Código Eleitoral e, apenas em 1946, a obrigatoriedade do voto foi estendida às mulheres. 

Em período igual, as mulheres ingressaram na faculdade e mais, investiram em profissões até então tidas como exclusivamente masculinas, que hoje já têm uma feição mais feminina. Por que, então, a participação da mulher na política é ainda pequena? Mesmo identificando avanços que denotam mudanças interessantes e positivas, além de um visível crescimento da conquista do espaço da mulher nesta área, como a eleição de uma mulher no mais alto escalão da República; a lei Maria da Penha; a eleição da primeira mulher para a Mesa da Câmara dos Deputados e o número, a cada eleição, crescente de mulheres prefeitas, vereadoras, governadoras e deputadas, as mulheres permanecem minoria neste espaço de decisões definidoras dos rumos da sociedade, do país.

Prova disso, é que o cientista político Paulo Kramer detectou que os partidos políticos continuam com dificuldade para cumprir a cota destinada às mulheres, porque, segundo ele, faltam interessadas. Ele acredita que a origem do problema está na falta de confiança da própria mulher na política como forma de contribuir para o desenvolvimento do país. Isso mostra que as cotas por si só não resolvem o problema, pois se fossem eficazes, pelo menos um terço do Congresso seria constituído por mulheres. Mesmo as mulheres sendo maioria da população, a diferença permanece e as mulheres não conseguem a mesma representatividade nas instâncias políticas. 

Que tais paradigmas se quebrem nestas eleições, que a mulher perca o medo e decida que é hora de fazer da política uma ferramenta eficaz de construir, em parceria com os homens, o mundo pós-pandemia, porque, assim como a sociedade, a política precisa da sensibilidade, do olhar diferente e da competência da mulher. Uma política mais plural certamente trará transformações importantes e significativas, ressignificando assim, o fazer política, construindo uma sociedade de fato mais igualitária.
 
 
 

 

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