A polêmica do voto

Editorial / 11/06/2021 - 00h01

Em véspera de ano eleitoral, as mudanças relacionadas ao processo acabam por dominar os debates no Congresso. Este ano não é diferente. E já são vários os projetos que propõem mudanças, as mais variadas, na lei eleitoral. Um dos projetos mais polêmicos é o da impressão do voto.

No plenário da Câmara dos Deputados a discussão tem sido acalorada, com ideias e grupos se digladiando em busca de fazer prevalecer o seu ponto de vista, os seus argumentos. De um lado, o bloco daqueles que acreditam que a impressão do voto pode ser a solução para eleições mais seguras e para se evitar fraudes. 

Do outro lado, o grupo daqueles que acreditam que o processo eletrônico é seguro e, desde 1996, quando foram implantadas as urnas eletrônicas no Brasil, nenhuma fraude foi efetivamente comprovada, sendo, portanto, desnecessário a impressão do voto. 

E tem a terceira via, grupo que acredita que é preciso debater mais o processo da votação eletrônica e buscar uma solução para evitar a quantidade de erros ou defeitos provocados pelas urnas, tornando o processo não apenas mais seguro, mas sobretudo, mais transparente.

Não se sabe ainda que grupo conseguirá impor sua vontade, mas é preciso muita cautela com relação à impressão do voto, para que ele não se volte contra a democracia, contra o processo eleitoral. A impressão do voto é uma prova para o eleitor de que sua escolha foi computada da forma como ele queria, mas pode se transformar facilmente em ferramenta de manipulação do eleitorado, trazendo de volta os antigos currais eleitorais.

Se existe o comprovante, aquele que compra o voto – como ainda acontece e muito no Brasil – vai cobrar essa prova e isso vai acabar manchando o processo democrático que, em nosso país, está longe de ser transparente e democrático de verdade.

Portanto, espera-se que, em nome da democracia, os muitos grupos que estão na arena do Congresso lutando para transformar suas ideias em projetos e seus projetos em lei sejam sensatos e encontrem uma solução que não coloque em risco as conquistas democráticas do pós-ditadura. 

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