A importância da prática democrática

Editorial / 30/09/2020 - 00h01

“Se os homens soubessem como são produzidas a lei e as salsichas, não respeitariam a primeira e não comeriam a segunda”. A famosa frase é creditada ao estadista alemão Otto von Bismarck, e ajuda a explicar a justificada aversão de boa parte da população à atividade política. Especialmente no caso brasileiro, em que os desvios de toda a ordem se transformaram em moeda corrente ao longo da história recente. Irregularidades que não escolhem legendas, tampouco esferas de governo ou níveis parlamentares. Algo que não mais surpreende, mas que deveria provocar indignação maior do que a verificada, especialmente no que diz respeito à escolha dos candidatos. Infelizmente, a memória se mostra curta, e as gincanas legais favorecem a perpetuação dos crimes.

Um cenário que não mudará apenas por força de lei ou desmonte da sensação de impunidade mas, principalmente, por uma maior participação popular. É necessário – mais do que isso, determinante –, que se saiba, sim, como são feitas as leis. Para que se identifique abusos, condutas indignas do trato à coisa pública, e se interfira de modo ativo não apenas no debate, mas também em termos de proposições e reivindicações.

Se não há como levar o cidadão de forma constante para dentro do parlamento, é possível e desejável incluí-lo no processo, especialmente considerando as ferramentas disponibilizadas pela tecnologia. A atividade política nunca foi tão acessível em termos de divulgação e controle. A legislação determina a transparência nos gastos e a publicidade universal dos fatos relacionados à administração pública.

Faz-se, portanto, extremamente necessário que o eleitor esteja atento, principalmente a partir de agora, com o início da campanha eleitoral, às propostas que cada candidato irá apresentar. À forma como cada pleiteante a uma vaga no Executivo ou no Legislativo trata o cidadão: se dá ouvidos a ele, se dá a ele o poder de voz e de participação. Caso contrário, não merece ser escolhido.

Está mais do que na hora de dar adeus à velha política, em nome de uma ação que cumpra com a sua verdadeira vocação: de trabalhar por e para o povo

 

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