Órfãos

Editorial / 21/10/2021 - 00h03

A pandemia de Covid 19 desencadeou inúmeras tragédias por todos os cantos do mundo. Incontáveis famílias dilaceradas pela dor de perder um ente querido, vidas interrompidas, sonhos abandonados pela metade. A humanidade nunca mais será a mesma e o novo normal, sem dúvidas, será pautado por essa catástrofe coletiva. Mas para as crianças, que se viram repentinamente órfãs, a tragédia é ainda maior, já que muitos perderam pai e mãe, ficando, da noite para o dia, literalmente sozinhos na vida. A pandemia não poupou ninguém...

E não são poucos os que precisarão viver essa solidão imputada pela morte. A macabra estatística mostra que cerca de 12 mil crianças, que ainda nem completaram 6 anos, já conhecem bem de perto a dor de perder o pai, a mãe ou ambos. Dessas, 25,6% não tinham um ano quando a tragédia entrou na vida delas. Sem dúvidas, um triste legado da pandemia, que trará consequências inimagináveis para essas crianças e para a sociedade como um todo. Certamente, a sociedade precisará encontrar uma forma para cuidar dessas crianças, para impedir que as perdas façam um eco destrutivo na vida de cada uma delas.

Mais do que apenas empatia, será necessário criar redes de apoio para que todas elas tenham a oportunidade de crescer e serem os adultos que seus pais as estavam preparando para ser. Vai ser preciso cuidar de muito próximo, para que elas se sintam amparadas e possam entender que, ainda que o pai, a mãe ou ambos não estejam por perto, elas poderão ser adultos realizados. O buraco da perda, esse, provavelmente vai acompanhá-las por toda a vida e nada que se faça será suficiente para estancar a dor que carregarão para sempre. No entanto, o possível para ajudá-las a caminhar de encontro a seus sonhos, a uma vida digna, a sociedade tem a obrigação de fazer. 

Se o legado da pandemia tem seu lado macabro, a solidariedade advinda dessa tragédia coletiva é o legado positivo, que neste momento precisa ser maior, pois só assim, acolhendo, cuidando, solidarizando-se é que será possível seguir em frente, como humanidade que somos. 

Publicidade
Publicidade
Comentários