Enquanto Antônio Marcos, em 1969, tinha esperanças quando entoava a sua “Se eu pudesse conversar com Deus” (de Nelson Ned), e reclamava da sua amada – “perdi meu tempo aprendendo a amar alguém que nunca soube o que é amor” –, Fernando Mendes, em 1978, cantava “agora, que faço eu da vida sem você, você não me ensinou a te esquecer, você só me ensinou a te querer, e, te querendo, eu vou tentando te encontrar e me perdendo” (José Wilson Martins, Luiz Fernando Mendes Ferreira), não acreditava em reconciliação.

Poesia é imprescindível, e o mundo seria oco sem os poetas. São eles sonhadores, ou fazedores de sonhos? O poema musicado, coisa que já não tem sido produzida nos dias atuais (constato isso penalizada), tem a capacidade de transportar o ouvinte para a situação, e, em caso de música antiga, traz lembranças de lugares, pessoas e coisas. Isso não é novidade, e, nessas duas músicas, separadas por nove anos, quem canta sofre, e, um deles acusa a sua musa de ela não saber o que é amor. Será que não sabe mesmo, ou apenas não consegue amá-lo, por incapacidade de o rejeitado despertar o amor dela? No outro caso, o homem foi abandonado e, no sofrimento pelo qual passam os apaixonados, gostaria de esquecer a causa da sua dor, culpando a mulher ingrata. Quem ocupa o lado de lá, quem descartou, também está infeliz e sofre desconforto. Não há vencedores.

Para quem foi desprezado e ainda está amando, o outro é mau, pois, podendo tirá-lo do inferno, nada faz. Diante do sofrimento, um sinal traria a paz roubada, mas o outro quer vivenciar novos caminhos e não mais ficar com quem chora. Caso o apaixonado soubesse que todas as dores passam, se sentiria acalentado, mas, quem declarar isso arrumará um inimigo. Quem sofre por amor quer se descabelar, então, ofereça seu ombro, ouvidos, atenção e tudo o mais de que a pessoa precisa para viver seu imenso luto, mas a iniba de adotar atitudes indignas. A culpa não é de ninguém, mas da ruptura afetiva. Quando decidem remendar lamentarão com mais força na próxima ruptura. No processo de cura, aprende-se a esquecer, e, quem não sabia o que era amor, acabará aprendendo com outro parceiro. A rejeição é experiência que verga orgulho e abaixa qualquer crista.