A fé consistente é aquela que se repousa da palavra declaratória da promessa de Deus e não em nossas ilusões e devaneios. O caráter de Deus nos assegura que ele não abandonará aqueles que clamam por ele com corações sinceros e contritos (Salmo 51.17)

“Socorro, Senhor! Porque já não há homens piedosos; desaparecem os fiéis entre os filhos dos homens” (Salmo 12.1). A oração em si mesma é notável, pois é curta, mas, oportuna, concisa e sugestiva. Davi lamentou a escassez de homens fiéis; e descreveu o caráter daqueles que ignoram as ordens de Deus para o ser humano, por isso, levantou a sua voz a Deus em súplica. Esses homens são maus, falam com falsidade, são bajuladores, soberbos, opressores dos mais necessitados, perversos.

Quando a criatura falhou, Davi correu ao Criador. Evidentemente, Davi, como rei, sentiu a sua própria fraqueza, pois, do contrário, não teria clamado por ajuda. Entretanto, ao mesmo tempo, ele decidiu, sinceramente, se esforçar em benefício da causa da verdade, pois a palavra “socorro” é aplicável onde nós mesmos nada fazemos. Precisamos da resposta de alguém que conhece todas as coisas para entendermos o porquê de tanta injustiça e maldade. “Até quando, Senhor?” (Salmo 13.1).

Há muita exatidão, clareza de percepção e intrepidez nesta petição de duas palavras – muito mais, na realidade, que nas longas e incoerentes expansões de certos crentes. 

O salmista sabia o que estava procurando e onde poderia encontrá-lo. Senhor, ensina-nos a orar dessa maneira bendita. Essa súplica é conveniente em aflições providenciais, para crentes que estão sendo provados e descobrem que todos os socorros humanos lhes falharam.

Estudantes de doutrinas difíceis podem obter ajuda por elevarem este clamor ao Espírito Santo, o grande Ensinador. Guerreiros espirituais em conflitos interiores podem recorrer ao trono da graça, em busca de reforço; e as palavras desta súplica podem ser um modelo para a petição deles. 

Por meio desta súplica, aqueles que trabalham na obra do Senhor podem obter graça em tempos de necessidade. Os interessados que estão em dúvidas e alarmados podem apresentar a Deus esta mesma súplica poderosa.

De fato, em todos os casos, ocasiões, circunstâncias e lugares, essa súplica será conveniente a almas necessitadas. “Socorro, Senhor!” será adequado na vida e na morte, no sofrimento e no trabalho, na alegria e na tristeza. 

Encontramos o nosso socorro no Senhor Jesus. Como afirmou o pastor João Calvino, “não é mérito da oração ou a dignidade da pessoa que nos habilita a obter as bênçãos perdidas, mas toda a nossa esperança está situada nas promessas e delas depende”. 

Não devemos ser negligentes e deixar de clamar a Deus. Obviamente, não devemos clamar simplesmente por aquilo que desejamos, mas por aquilo que ele nos prometeu.

A fé consistente é aquela que se repousa da palavra declaratória da promessa de Deus e não em nossas ilusões e devaneios. O caráter de Deus nos assegura que ele não abandonará aqueles que clamam por ele com corações sinceros e contritos (Salmo 51.17). 

Seu parentesco como Pai, conquistado em Jesus Cristo, nos garante auxílio. O dom do Senhor Jesus é um penhor de todas as coisas boas. E sua infalível promessa permanece: “Não temas, que eu te ajudo” (Isaías 41.13).