Todos nós temos objetivos na vida – ou “de vida”. Boa parte das pessoas não sabe, ao certo, defini-los; mas, elas os têm. Ninguém vive sem estabelecer alvos. Mesmo que a pessoa não tenha consciência de suas prioridades, há sempre um desejo enraizado no coração do indivíduo que o move a ser e a fazer o que ele, cotidianamente, expressa no seu estilo de vida. Ninguém consegue esconder as motivações do seu coração totalmente. 

Mesmo que uma pessoa finja às outras e até a si mesmo, tentando demonstrar aos demais ou se convencer do contrário de suas práticas, ao ser cuidadosamente analisada, ela acabará se revelando em seus gostos e desejos mais íntimos. A questão toda está, portanto, em tentarmos observar, cautelosa e analiticamente, para aonde vai a motivação do nosso coração. A Bíblia Sagrada chama essa atitude analítica de sabedoria. Ser sábio é ser capaz de analisar, criteriosamente, as situações e escolher, dentre várias opções, aquela que é a melhor. 

Quando se está diante de várias opções ruins e outras boas, a tarefa é mais fácil. Mas, quando se está diante de várias opções benéficas, nem sempre o dilema se resolve com facilidade. Melhor opção. Alguns perguntariam: “melhor para quem?” ou “melhor a partir de qual referência?”.

Pois bem: ainda que não compartilhemos dos mesmos desejos e gostos, ainda que sejamos moldados por estruturas diferentes, há uma moralidade universal que pretende definir “atitudes virtuosas” e “atitudes viciantes”. 

Não é tão difícil imaginar que o ato de roubar alguém seja “viciante” e, portanto, prejudicial. Não creio que há quem defenda o roubo como uma forma legítima de comportamento. Assim também acontece com mentir para ludibriar, perverter os direitos, lesar o inocente, abusar de menores, maltratar idosos, dentre outras atitudes. Então, é óbvio que eu preciso ser sábio para definir meus objetivos. Preciso ter condições de pressupor que lesar alguém por interesse próprio é estabelecer um padrão de benefício individualista e, consequentemente, egoísta. 

O egoísmo não parece ser uma atitude universalmente aceita. Talvez você pense: “Mas eu não estou tendo problemas com essas atitudes viciantes!”. Mas, se você for bastante honesto, perceberá que mesmo entre coisas consideradas boas, é preciso estabelecer prioridades. Suponha que você esteja com certo dilema: mãe e filho estão se afogando num rio; você pode ajudá-los; quem você salvará primeiro? Repare: critérios serão necessários. Você terá muitas opções para pensar em poucos segundos: você pode tentar salvar ambos, e perder os dois; você poderá não tentar salvar nenhum dos dois, por medo de perdê-los; você poderá tentar salvar a criança, mas carregará o peso de poder ter feito um pouco mais para salvar a mãe; ou salvará a mãe que poderá dizer a você “por que não me deixou morrer e salvou meu filho?!”. 

O que fazer? Não é fácil tomar decisões honestas. Não é simples priorizar objetivos. Mas é necessário priorizá-los. Sem prioridades não há sucesso. Você precisa dizer “não” a algumas práticas e “sim” a outras. A questão é: o que priorizo? Por isso, o Rei Salomão nos ensinou que um bom caminho é ser prudente com relação ao princípio que deve ser adotado como paradigma ou fundamento de escolha: o temor do Senhor. Temer não é “ter medo”, mas segui-lo devotamente. 

Você pode pensar: isso é papo de cristão. Concordo. Os cristãos estão mais afeitos a esse fundamento – ou pelo menos deveriam estar. Mas, se você não é um cristão ou se é, mas ainda não refletiu nisso, pense: que fundamento eu posso e devo adotar para tomar minhas decisões e estabelecer meus objetivos? Eu aconselho a você: espelhe-se em Jesus Cristo. Ele estava no princípio com Deus, nada do que foi feito sem ele se fez. Portanto, ele sabe como agir e o que priorizar. Tente esse método e redefina seus objetivos!