Mudamos a pet shop onde as nossas cachorrinhas tomavam banho. Frida, a dengosa, andava apavorada, escondida debaixo da cama todas as segundas-feiras de manhã, dia de lavá-la. Isso nos impressionou. O choro era alto. Dávamos remédio e não decifrávamos o problema. O lugar do banho tem várias câmeras de segurança e se for maltratada ficará registrado. Fernando, meu filho, foi lá explicar a mudança que faríamos. Frida, nas caminhadas, toma o rumo de lá, naturalmente. Mistério. Mesmo após a troca, chora de manhã. Deduzimos tratar-se de medo do transporte, pois ela sente enjoos e vômitos nos deslocamentos de carro. Para evitar isso, voltaremos a dar-lhe antiemético. Hoje, Fernando a levou para tomar banho no lugar escolhido, a pé, dentro da cestinha, assim, ela está limpinha, cheirosa e com o pelo macio. Parece feliz.

Pagu é grosseira nos gestos, mas animal muito sensível. Grande e estouvada, a qualquer bronca ela se esconde. Roeu o colchão da sua cama, foi repreendida, e de nada serviu. Na primeira oportunidade, esburacou os restos mortais do que tinha sido o colchão do quarto de hóspedes. Fiz coro a Fernando na bronca, falando firme “não pode”, batendo o chinelo no chão. Fugiu para debaixo da minha cama, e, quieta, ficou pensando. Não dormiu. Eu estava no quarto e vi seus olhos entreabertos. Depois, fez um ronronar diferente, para chamar minha atenção, pedindo paz. Achei o som interessante. Comoveu-me. Vendo que tinha dado certo, saiu de lá e encostou a cara na minha perna, pedindo para ficarmos de bem. Pagu é muito inteligente, hábil e manipuladora. Derreteu meu coração. Fizemos as pazes, mas mantivemos a porta do quarto de hóspedes fechada, por enquanto. Aguardemos.

Frida, que ganhei da minha tia Áurea, e Pagu, que achei no Parque Sagarana, se conheceram há dez meses, e, desde então, ficam juntas. São amigas no estilo “somos muito ciumentas”. A audácia de Frida, cinco vezes menor em peso, de enfrentar os 25 quilos de Pagu, em disputas, certa de que pode vencê-la, chama a nossa atenção. Fingem brigar, mas se divertem brincando. Sentimo-nos felizes, vendo o amor delas por nós, além do conforto de tê-las por companhia. Todos os dias acontecem novidades com a dupla. Monotonia não há.