Perry G. Downs é PhD, professor de Educação Cristã desde 1976 no Trinity Evangelical Divinity School, em Deerfield, Illinois. É casado com Sandra e tem três filhos. Eles residem em Wildwood, Illinois. Autor de vários livros e artigos, dr. Downs é também pastor em Nova Jersey, Pennsylvania, Wisconsin e Illinois. Ele escreveu um interessante livro sobre Educação Cristã, intitulado “Ensino e Crescimento: uma introdução à educação cristã”, publicado no Brasil pela Editora Cultura Cristã.

O livro se fundamenta sob a perspectiva teológica reformada, o que significa dizer que as bases pressuposicionais do texto estão enraizadas na leitura bíblica a partir de autores oriundos da Reforma Protestante do século 16 e, portanto, traz todo seu fundamento da teologia bíblica. 

É verdade que alguns reformados teriam algumas restrições na aplicabilidade de teoria de Downs, especialmente no que se refere à utilização de pressupostos da Psicologia moderna, que enfatiza, dentre outras coisas, o ser humano independente de Deus. 

Todavia, a obra se propõe a trazer os princípios bíblicos como fundamentos e não como acessórios à educação cristã. Perry G. Downs, no prefácio, acertadamente afirma que “usa a Psicologia e as teorias de aprendizado como fontes importantes de informação, mas sempre em interação com a Teologia. Eu não quero nem que as Ciências Sociais nem a Teologia se levantem independentemente – ambas devem ser valorizadas, mas a Bíblia deve permanecer como árbitro final” (p.7).

Aliás, qualquer pressuposto teórico que se denomine cristão, mas considere a Escritura Sagrada como ponto secundário, deve ser seriamente questionado. Nenhuma autoridade em assunto de cristianismo pode se sobrepor às Escrituras. Ela é o árbitro a partir do qual todas as questões de religião devem ser julgadas. 

O livro é dividido em três partes: na primeira, o autor se dispõe a estabelecer os princípios e a base do ensino cristão sob a perspectiva do propósito da educação cristã: a maturidade espiritual. Na segunda parte, a ênfase recai no desenvolvimento das teorias da aprendizagem e do uso da Psicologia no aprendizado dos seres humanos. Aborda, especialmente, o desenvolvimento cognitivo, o desenvolvimento moral e o desenvolvimento da fé.

Na terceira parte, o autor se propõe a um trabalho mais prático, estabelecendo os princípios de como se deve desenvolver as pessoas: o aprendizado pela interação e pela observação, aprendendo pelo desenvolvimento lógico e pela experiência.

Downs busca elaborar uma filosofia da educação cristã e tentar dialogar Ciências Sociais e Teologia, porque compreende o princípio reformado de ver a verdade de Deus nas demais áreas do conhecimento humano. Para o teólogo reformado, onde existe verdade Deus está presente, porque ele é verdade. Assim sendo, não importa qual ciência enuncia pontos de verdade, o que interessa, em última instância, é que a verdade está sendo anunciada. 

Portanto, se a História aponta verdades, ali devemos buscar amparo. Se a Física nos orienta para teses verdadeiras, aqui devemos considerar. A educação genuinamente produtiva é aquela que alia conhecimentos e os considera parte de um todo e não aquela que fragmenta e destemperadamente tenta anular a verdade sob o ingênuo argumento de uma suposta visão relativa. O fato de percebermos relativamente os fatos da realidade não nos dá o direito acadêmico de negar a existência de uma verdade. Apenas devemos ser sinceros e humildes para assumirmos que não somos capazes de ver toda a realidade.

O maior ponto positivo na obra de Downs, a meu ver, é a tentativa de alinhar pressupostos das Ciências Sociais com a Teologia, como destaquei acima. O autor entende que é necessária a comunicação correta do que é o pecado humano e de sua consequência terrível na vida do pecador. O pressuposto da depravação total – ou seja: de que o homem está alienado de Deus em razão do pecado original – está fora de moda, portanto a manutenção que Downs faz dele é de fato importante. Evidentemente, uma compreensão correta de quem é o homem e de Deus implicará todo o processo de ensino. Se o homem não pode compreender em que estado está dificilmente poderá saber o que fazer. 

Cabe ao educador cristão, portanto, ser honesto, e cumprir a ordem dada por Deus de revelar sua vontade divina às pessoas a partir de si mesmo, a verdade revelada em sua Palavra, as Escrituras Sagradas. Somos limitados. Só podemos ver com os nossos próprios olhos. Portanto, é necessário que aquilo ou aquele que está fora de nós nos mostre verdades que ainda não somos capazes de ver. Não se trata, obviamente, de ensinar a Bíblia ou de pregar religião, mas de perceber que o mundo só tem sentido se visto a partir da revelação escriturística, aquela que é completa para significar o mundo.