Há certa tendência protocolar entre os acadêmicos, aparentes defensores da ciência, de racionalizar hipóteses e de buscar explicações mais científicas para os dilemas humanos. As conclusões científicas sugerem ser mais impessoais e objetivas, por isso, mais aceitáveis e menos influenciáveis. Por isso, quase sempre os conceitos que usamos são aqueles que possuem respaldo da ciência – ou pelo menos parecem ter.

É quase sempre assim no campo acadêmico, ao menos aparentemente. Há um consenso generalizado de que as ciências são imparciais, neutras e, portanto, tendem a ser mais verificáveis e, por isso, verdadeiras. Por isso, se você se atrever a escrever um artigo científico sem referências à comunidade científica, a fim de embasar sua tese, é certo que o seu tópico será desacreditado ou cancelado, para usar um termo da moda. O problema, obviamente, não é falar a língua da sua comunidade nem tampouco respeitar os limites metodológicos. Isso é desejável. Há certa ciência em tudo o que fazemos.

Todavia, não obstante devamos concordar e reconhecer que o surgimento da ciência moderna foi, de acordo com Alvin Plantinga, “o fenômeno intelectual mais admirável e marcante dos últimos quinhentos anos”, elevando o valor da ciência a um estado de empreendimento cooperativo, não devemos reduzir a experiência humana ao seu escopo. Aliás, nem a própria ciência se atreveu a assumir esse ônus. Embora a ciência tente explicar fenômenos, o verdadeiro cientista compreende que não deve pretender absolutos de todos os tópicos da realidade humana. 

A ciência é valiosa, é admirável, marcante, mas não é toda a verdade. Ela é parte da verdade, como uma peça de um quebra-cabeça é parte dele, mas não é ele todo. Ela é apenas um meio instrumental que devemos usar para compreender melhor a verdade que aparece aos nossos olhos. Mas a ciência não domina a verdade. A ciência também se corrompe, se perde, se vende e se falseia, porque essa degeneração moral é própria dos seres humanos falíveis. E não é difícil falsear a ciência ou permitir que ela nos manipule, assim como não é difícil nem raro o falseamento da religião e da política. Qualquer área da realidade humana pode se tornar escrava de certas ideologias perniciosas que pretendem mais obscurecer do que revelar a verdade. É assim na religião, na política e, também, na ciência.

O que precisamos entender é que há muito mais para se descobrir da realidade humana do que a ciência pode nos oferecer. Existe gigantesca inteligibilidade no mundo que reflete uma harmoniosa precisão com as nossas mentes que estão para além da ciência. Há uma realidade escondida para onde as mentes inquiridoras se dirigem. Existem pistas lançadas ao longo do nosso caminho que insistem em nos mostrar algo de nossa existência que por vezes tentamos negar. E é por essa busca inquiridora sensível por meio de nossas antenas espirituais e intelectuais que vamos, passo a passo, em busca da descoberta.