“Amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves, dentro do coração... no lado esquerdo do peito, mesmo que o tempo e a distância digam ‘não’” é um trecho de uma consagrada música popular brasileira, Canção da América, cantada por Milton Nascimento e que se tornou uma das expressões culturais mais fortes em nosso país como celebração da verdadeira amizade.

De fato, ser amigo é para poucos. “Há amigos mais apegados que irmãos”, diz Provérbios 18.24. Ter amigos de verdade é um privilégio. Ser amigo é também um grande privilégio. Nosso Senhor Jesus Cristo tinha amigos. Nem todos aqueles que conviviam com ele eram tão próximos como outros. 

É evidente que havia alguns mais próximos dele, como Pedro, Tiago e João, por exemplo. Eles o acompanharam em muitos momentos e naqueles momentos mais sombrios de sua jornada, como na experiência vivida no jardim do Getsêmani (Mc 14.33). Não que os demais discípulos não fossem amigos, mas parece-nos que esses três estavam mais próximos de Jesus nos momentos mais dramáticos. Ainda assim, um deles, Pedro, o traiu no momento de seu caminho à cruz.

Em todas as fases da vida, a amizade tem muito valor. Crianças que começam a frequentar a escola, por exemplo, precisam passar pela socialização a fim de aprenderem a compartilhar uns com os outros, a se comportarem em coletividade e a linguagem de sua comunidade. 

Os adolescentes precisam de amizades profundas para compartilhar seus projetos, sonhos, as crises e desencontros com os pais, com os outros colegas. Os jovens carecem de amigos como suportes para preparação da fase adulta, conhecendo os futuros cônjuges, seus tutores espirituais.

Os adultos também fazem amigos. Aqueles que já os acompanham há anos, mas os novos também, que vão se unindo às famílias, em suas carreiras profissionais e na igreja.

Se você nunca se assentou pra valer com o objetivo de ouvir uma pessoa idosa contar histórias de sua vida, você ainda não sabe nada sobre o que é viver. Ouvir essas histórias é como mergulhar em um livro de ficção. É uma das coisas mais prazerosas que podemos experimentar. 

Dali saem inúmeras histórias engraçadas, dramas, suspenses, tensões, terrores e aventuras. São vários filmes que podem ser reproduzidos em nossa mente com apenas poucos minutos de conversa. É muita experiência, para dar e vender.

Os verdadeiros amigos servem para nos fazer ver a ação de Deus na história. Lembrar a história de Deus em nossa história é um dos meios mais eficazes de fortalecimento da fé. 

Observe, por exemplo, o que fez Moisés com o povo de Israel em Deuteronômio 4. É um belíssimo texto no qual um amigo das pessoas, pode-se dizer, lembra a eles de todo o poder manifestado por Deus em seu favor: 

“Tão-somente guarda-te a ti mesmo e guarda bem a tua alma, que te não esqueças daquelas cousas que os teus olhos têm visto, e se não apartem do teu coração todos os dias da tua vida, e as farás saber a teus filhos e aos filhos de teus filhos” (4.9).