Heidegger defendeu a tese de que, para compreendermos o ser das coisas, devemos nos deixar levar pelas emoções a fim de explorá-las. Essas emoções “reveladoras” geralmente são o tédio, a angústia, o medo e a culpa. Por meio dessas emoções, de acordo com Heidegger, somos impulsionados às coisas mais profundas e abandonamos aquelas corriqueiras que ocupam a maior parte de nosso tempo e nos lançam no desperdício. 

Essas emoções afastam as nossas preocupações com as situações particulares e nos permitem viajar para uma dimensão mais ampla do ser, o Nada. Esse é o proposto niilismo metafísico. No final, o nada é tudo e o tudo é nada, em um anel sem início ou fim. Sem sentido real.

O tédio pode até ser um bom lugar para começarmos a pensar em algo. A angústia sempre foi um princípio caro aos filósofos. Eles usavam esse termo para designar aquele momento no qual somos tomados por um vazio provocador de reações positivas e de produção de conhecimento. 

Por meio da angústia, somos levados à contemplação. E pela contemplação, conduzidos ao conhecimento. Sem angústia, portanto, não conheceríamos. 

Certos antigos diziam que “cabeça vazia é oficina do diabo”. E às vezes o diabinho que se encosta próximo de nossos ouvidos sopra ideias favoritas. Elas também são reveladoras. 

Quase sempre, as propostas são atrativas, porque atingem profundamente nossos afetos e mostra aquilo que verdadeiramente somos e, assim como previu Heidegger, anulamos a razão presente nas coisas para dar ouvidos às nossas emoções.

E, ao fazermos isso, sucumbimos e cometemos o mesmo erro de Heidegger: equiparar o ser ao nada e afirmar que ambos são de mesma importância. Em outras palavras, retiramos o sentido das coisas para sermos agradados por aquilo que nós estabelecemos como verdade. 

O maior problema, portanto, é que as emoções não são confiáveis. Aliás, estão longe de ser. Quase sempre somos traídos por elas. Por isso, a razão é muito importante para nos equilibrar de nossos disparates emocionais.

E quando o diabinho de um lado grita, há sempre um “anjo” contrapondo. Esse “anjo” é a consciência racional, criativa e operacional que todos nós temos. Nós fomos criados seres pensantes, racionais, almas viventes. 

Não somos irracionais. Por isso mesmo sentimos culpa e angústia por nosso estado espiritualmente depressivo e, sem o uso da razão que nos equilibra, somos levados à intranquilidade emocional e ao descaminho sem sentido. 

O caminho não é não pensar em nada, nem mesmo descansar nas emoções como se elas respondessem aos nossos problemas mais profundos, mas pensar no que de fato tem sentido real e apresenta-se com consistência.