Não devemos temer os desafios. Eles existirão sempre. Não devemos nos render diante das privações ou restrições. Dificuldades são comuns e sempre estarão presentes. Impossibilidades, ao contrário, quase sempre são dificuldades comuns que elevamos a um nível de insolubilidade irreal. No fundo, há sempre uma possibilidade real de avançar

Ao instruir os seus discípulos sobre como deveriam se comportar diante da necessidade de anunciar o evangelho cristão e, ao mesmo tempo, da crescente oposição à pregação do Cristianismo, Jesus Cristo utilizou a metáfora comportamental de duas espécies de animais bem distintos quanto ao modo de ser e agir: serpentes e pombas. Embora significativamente diferentes, eles são capazes de nos instruir quanto ao modo de ser e agir em nossos propósitos.

Serpentes são animais sagazes. Elas não se entregam facilmente aos predadores. Com suas línguas bífidas, analisam criteriosamente o ar e o solo pelos quais transitam. São sorrateiras, espertas, mineiramente capacitadas para escapar das investidas dos potenciais inimigos. Antes de avançar para a próxima pedra, eleva-se, sente o calor e o ambiente, desloca-se vagarosamente por um instante, toca suavemente a superfície desejada e, finalmente, repousa sobre o seu desejo. Quase sempre, andam lateralmente ou se contraindo, ponderando cada detalhe de seu caminho.

Pombas são animais ingênuos. Aparentemente, imprudentes, caminham por entre as pessoas e carros, pelas ruas, praças e telhados alheios, em busca de migalhas comuns, folhas e frutos. Não se importam muito com o movimento ao redor nem com os possíveis perigos que correm. São corajosamente imprudentes. Têm excelente senso de direção. São ensináveis e capacitadas para levar a mensagem por longas distâncias se for preciso. São amigas das pessoas. Quase sempre, andam para frente, movimentando seu pescoço para frente e para trás, mas sempre adiante, em direção ao seu objetivo.

Apesar das diferenças fundamentais, há uma semelhança impactante: ambas, serpentes e pombas, são suficientemente determinadas para cumprirem os seus objetivos. Têm diferentes modus operandi, mas a questão é que, se por um lado, as serpentes são suficientemente atentas para escaparem das investidas dos inimigos, as pombas, por outro lado, são suficientemente corajosas para não se paralisarem diante das iminentes ameaças. 

As pombas sabem o que precisam fazer para alcançar seu objetivo e voam até ele, continuam firmes em seus propósitos, apesar dos possíveis perigos ao redor; as serpentes, sabendo dos perigos que as ameaçam, são previdentes o suficiente para não se entregarem inocentemente aos opositores.

Entre serpentes e pombas, devemos adquirir o duplo hábito de não desistirmos diante das ameaças e dos obstáculos e, ao mesmo tempo, de não sermos inocentemente presas fáceis dos opositores. A prudência envolve a sabedoria da oportunidade. O tempo e o modo. Precisamos desenvolver o bom senso de direção e da análise do ambiente. Saber por onde caminhar, sem pararmos diante dos obstáculos, é o caminho para a prosperidade. 

Não devemos temer os desafios. Eles existirão sempre. Não devemos nos render diante das privações ou restrições. Dificuldades são comuns e sempre estarão presentes. Impossibilidades, ao contrário, quase sempre são dificuldades comuns que elevamos a um nível de insolubilidade irreal. No fundo, há sempre uma possibilidade real de avançar. 

O desafio é, assim como as serpentes, ter a capacidade de sentir o ambiente ou, como as pombas, ser capaz de prosseguir, apesar das pernas que atravessam o nosso caminho.