Hoje se comemora o Dia de Ação de Graças (Thanksgiving Day) tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. O Thanksgiving Day é um dos dias mais importantes do ano para os americanos, considerado um Natal antecipado. Nesse dia, as famílias se reúnem com o objetivo de agradecerem a Deus pelas bênçãos recebidas, especialmente pelos resultados da colheita. 

A prática de um Dia de Ação de Graças teve início no século 17, em 1621, na Nova Inglaterra, povoada por protestantes puritanos que, movidos por um senso de dependência, humildade e devoção a Deus por aquilo que entendiam receber dele, ajuntavam as famílias a fim de orarem ao Senhor e comerem, com gratidão, dos frutos colhidos após um rigoroso e insistente inverno. Esses puritanos entendiam que nada do que tinham poderia ser alcançado sem que a graça do Senhor atuasse por sua benignidade.

O pastor puritano John Owen afirmou que “sempre devemos chegar-nos a Deus como quem chega a uma eterna fonte de bondade, graça e misericórdia, quanto a tudo que nossas almas carecem”. E Stephen Charnock escreveu que “o louvor, a alegria e o deleite são os grandes ingredientes que acompanham as ordenanças do evangelho”. Para os puritanos, o culto a Deus não estava restrito ao ambiente de uma igreja local, mas se espalhava por todas as áreas de sua vida. 

Patrick Collinson resumiu bem ao escrever que “a vida do puritano era num certo sentido um ato contínuo de culto, buscado debaixo de um senso incessante e ativo dos propósitos providenciais de Deus, e constantemente renovada pela atividade religiosa, pessoal, doméstica e pública”. Eles de fato levavam a sério a instrução do apóstolo Paulo: “Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus” (1 Coríntios 10.31). 

Os puritanos faziam tudo para a glória de Deus e compreendiam, como consequência de sua piedosa devoção, que agradecer a Deus por suas dádivas e constante benevolência para com eles era o objetivo primeiro de um coração crente: “O fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre” (Breve Catecismo de Westminster, pergunta 1). Então, eles paravam, e oravam e festejavam em família e publicamente.

O pastor reformado João Calvino, comentando o salmo 28.7, escreveu que “quando Deus esparge alegria em nossos corações, o resultado deve ser que nossos lábios se abram para entoar seus louvores”. No salmo, escrito pelo Rei Davi, lemos: “O Senhor é a minha força e o meu escudo; nele o meu coração confia, nele fui socorrido; por isso, o meu coração exulta, e com o meu cântico o louvarei”.

A gratidão é uma das virtudes mais agradáveis a Deus, porque, por meio dela, rendemos nossos corações inteiramente ao reconhecimento do que ele é e do que fez e tem feito por nós. Um coração grato é sempre imensamente alegre, porque percebe, em cada detalhe, o cuidado providencial de Deus sobre a sua vida. Ele prefere sempre agradecer a murmurar. Ele é grato a Deus pelo perdão imerecido e às pessoas a quem sabe que deve amar.

Poucos sabem, mas a comemoração no Brasil foi instituída pela Lei n.º 781, de 17 de agosto de 1949, sugerida por Joaquim Nabuco, enquanto embaixador do Brasil nos Estados Unidos, durante o governo de Gaspar Dutra. Com a Lei nº 5.110, de 22 de setembro de 1966, no governo Castello Branco passou a respeitar a quarta quinta-feira de novembro, assim como nos Estados Unidos.

Deveríamos, ao menos nesse dia, reclinar nossos corações e de nossas famílias diante daquele que supre as nossas necessidades mais profundas, que nos perdoa os pecados, que redime da cova o desvalido e concede vida em abundância. O salmista declara com convicção: “O Senhor Deus é sol e escudo; o Senhor concede favor e honra; não recusa nenhum bem aos que vivem com integridade” (Salmos 84.11). Ao Senhor provedor seja a nossa gratidão!