Como é bom poder voltar para casa e descansar após termos trabalhado muito num dia quente e cansativo. Chegar à nossa casa após um dia exaustivo de esforços e de horas de trabalho e podermos experimentar aquele banho revigorante e o carinho da pessoa que amamos, com um abraço apertado e afetivo. É uma sensação de termos cumprido nossa missão naquele dia e o desejo de recomeçarmos no dia de amanhã. 

Esse é também o cenário da vida cristã. De toda a nossa luta nesse mundo, o que temos é a carência de voltarmos para casa. O que de fato precisamos é voltar para casa e descansar. Esse mundo em que estamos não é nosso. Aqui nos sentimos como num deserto, sem água, às vezes exaustos. Essa foi a experiência de alguns servos do Senhor no passado, como Davi (Salmo 63.1). Essa é a experiência de alguns irmãos hoje. É a nossa experiência. 

Nesse mundo estão as lutas mais profundas, as crises mais exaustivas que enfrentamos e as decepções mais angustiantes que experimentamos. Aqui, embora possamos conquistar e experimentar muitas coisas boas e desejáveis, não é o fim de nossa satisfação. Tudo aqui é temporal. Aqui não é o lugar para descansarmos. Aqui lutamos, sofremos, adoecemos, morremos. Precisamos descansar dessas crises e nos lembrarmos de que tudo pelo que passamos nesse mundo não é o fim. 

Se ainda tivermos que enfrentar as piores lutas e experimentar as mais excruciantes dores, sejam físicas ou emocionais; se ainda tudo piorar daqui para frente e tivermos que ser perseguidos, maltratados, presos, torturados, mortos, ainda não será o fim. Ainda assim, a morte não é o fim para o cristão. Ela é apenas a porta de entrada para casa. 

Estamos caminhando em direção à nossa casa. E quando estivermos à porta, experimentaremos aquele sentimento de que alguém que nos ama nos receberá em seus braços para aquele banho quente revigorante e para nos fazer lembrar de que toda nossa luta valeu à pena e agora estamos seguros das perdas desse mundo. 

O apóstolo Paulo escreveu: “Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas” (2 Coríntios 4.16-18). 

A graça do Senhor é que nos consola e nos fortalece para que enfrentemos nossas lutas diárias e nos preparemos para o encontro eterno com o Senhor, o nosso descanso. A graça de Deus triunfa sobre todas as nossas fraquezas, nossas precipitações e nossos erros. A graça triunfa sobre a nossa autossuficiência, nossa soberba. A graça triunfa sobre a nossa história. A graça triunfa sobre nossa humanidade para nos conduzir, finalmente, ao nosso lugar, à nossa casa, o céu. A graça quer nos levar para o céu.