As Escrituras Sagradas nos advertem para não cultivarmos a amargura. Escrevendo aos Efésios, o apóstolo Paulo disse: “Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia” (Efésios 4.31). Ao contrário disso, as virtudes que substituem esses vícios são: “Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou” (Efésios 4.32).

A amargura é o que sentimos quando outros cometem o mal contra nós e, por isso, nos ofendem profundamente. É a ação de outra pessoa contra nosso jeito de ser e de pensar e que afeta intimamente nossos afetos. Quanto maior a intimidade e o nível de confiança que temos em relação a alguém maior será a percepção da ofensa.

Não nos sentimos magoados em relação a algum desconhecido que passa na rua e nos dirige xingamentos; não nos sentimos tão magoados assim quando vemos governos tirânicos oprimindo pessoas do outro lado do mundo; ficamos tristes, mas não amargurados. Entretanto, sentimo-nos profundamente ofendidos e podemos nos tornar amargurados quando nosso pai, nossa mãe, esposo ou esposa, filhos fazem algo contra nós. Alguns se tornam amargurados até contra Deus.

O oposto da amargura é a benignidade. O benigno é aquele cuja natureza é afável, doce, terna. Na definição dada por Jerry Bridges, “Benignidade é um desejo sincero de felicidade para outros, é a disposição interna que faz que sejamos sensíveis às necessidades de outros, física, emocional ou espiritual”. E acrescento ainda que a benignidade nos faz pensar bem do outro, dar ao outro a chance de se corrigir, de perceber o seu erro antes de nos tornarmos fechados e rejeitá-lo.

Às vezes, será preciso rejeitar. Como afirmou C. S. Lewis, em “Os quatro amores”: “Devemos rejeitar ou desqualificar nossos mais próximos e queridos quando eles estiverem entre nós e nossa obediência ao Senhor. Deus sabe, poderá parecer a eles que é mesmo ódio. Não devemos agir a partir da pena que sentimos; devemos ser cegos em relação às lágrimas e surdos em relação aos apelos”. Pode ocorrer de termos de rejeitar alguém, mas essa não é a regra.

Não devemos permitir que a amargura faça raízes em nossos corações. Se você nutrir a amargura, ela matará você. Ela o consumirá. Se você guardá-la no coração, ficará doente, depressivo e, provavelmente, será tentado a pagar o mal com o mal, produzindo ainda mais violências e sofrimentos. Ao se tornar amargurado, você terá a tendência de provocar a amargura em alguém. Portanto, vença a amargura e não a cultive jamais.

Para vencer a amargura, o caminho é se esquecer de detalhes. Não guarde tudo o que vê ou escuta. Não coloque o seu coração nisso. Você ouviu milhares de milhares de palavras ao longo da sua vida e não se lembra de todas. Quase sempre, guarda apenas aquelas que afetaram você em alguma medida. Então, saiba guardar em sua mente e coração apenas aquelas palavras que verdadeiramente lhe causam bem, que edificam. Jogue fora as más palavras, as que não caíram bem aos ouvidos. Esqueça-se delas, simplesmente. Siga adiante, ame, perdoe e faça o bem, sempre que possível.