Em 1845, Karl Marx profetizou o fim da história, pois a luta de classes chegaria ao fim com a vitória da esquerda política. O norte-americano Francis Fukuyama, em 1989, declarou o fim da História, pois para ele a História havia chegado ao seu final e todos os países do mundo se juntariam ao redor de um sistema político e econômico, chamado de democrático, a qual muitos chamam de neoliberal.

O futuro da humanidade teria apenas um caminho, o pensamento único, e a História teria acabado. Ao longo dos anos, profetas religiosos têm declarado o fim do mundo e da História por meio de eventos sobrenaturais cataclísmicos. Cientistas, volta e meia, nos assustam com histórias de asteroides em rota de colisão com a terra ou com vulcões e tsunamis devastadores.

O fim das coisas nos assusta. Pelo menos duas razões podem justificar esse temor do fim:

1 - O desconhecimento de quando os eventos acontecerão. O desconhecido gera em nossas emoções certo desconforto, pois não sabemos lidar com aquilo que não conhecemos. Sentimo-nos indefesos.

2 - Temos a sensação de que não podemos controlar o desconhecido. As pessoas se desesperam diante das catástrofes, se enlouquecem diante daquelas crises que aparentemente são insolúveis. Elas se sentem completamente impotentes diante do desconhecido.

E nós, quando colocamos diante de situações de fim, somos tomados por um descontrole de sentidos que faz com que nossas emoções, por vezes, sejam mais ou menos evidentes e, quase sempre, nos descontrolamos, entregando a nossa racionalidade e a sensatez às próprias dúvidas do desconhecido: uma mulher que está para dar a luz, um jovem ao prestar um concurso, uma entrevista de emprego... são eventos cujo futuro é desconhecido. 

Esses desconhecidos são um simulacro ou uma metáfora do fim. Todavia, eles não são o fim de verdade. Há muito ainda por vir. E quando somos, então, tocados pela razão, reconhecemos que não se trata de um fim fim. É apenas um começo. Uma oportunidade. Uma mudança de nosso estado atual para, quase sempre, algo melhor. É apenas um momento de crise, de dor, de angústia, de desespero muitas vezes, motivado tão somente pelo medo do desconhecido e pela sensação de impotência de lidarmos com ele, mas que vai passar.

Todo fim é, na outra ponta, um início. A esperança se renova a cada manhã. Não há razões para desistirmos facilmente dos desafios como se eles fossem os últimos. Nenhum desafio é o último. Haverá outros desafios. 

Os problemas sempre existirão. O medo continuará nos desafiando. A incerteza do futuro acorda conosco todos os dias. Mas o que nos refaz como seres humanos é a capacidade de levantarmos ao cair e começarmos a andar de novo, ainda que machucados. Sabemos que ainda não é o fim. A nossa história ainda não acabou. Há muito que fazer. Sonhos para se realizar. Vida para se viver. Ainda não é o fim.