De repente os alunos sumiram da escola, a evasão só dispara, o desinteresse pelas monótonas exposições aumenta, a concorrência fica mais acirrada, as interrogações aparecem e as matrículas despencam...

A verdade é que tudo está virando de cabeça para baixo, deixando as certezas sentadas à beira do caminho, à cata de novas soluções para questões que incomodam muito, na busca de estratégias mais eficazes para se adequar ao novo paradigma...

A verdade é que tudo hoje, e a educação não é exceção, passa por um escrutínio crítico onde como ensinar, como aprender, como avaliar, como escutar, como gerir, como dosar, como reconhecer, como problematizar, como emocionar se tornou um terreno fluido onde a lógica formal perde espaço para o contexto, onde a fragmentação é substituída pela religação, onde o estático se torna transitório...

A autoridade cede lugar para o mediação, a ordem para o caos, a normatização para a complexidade, o exterior para o interior, o disperso para o interdependente, a acomodação para a reflexão, o correto para o questionável...

Nada é mais absoluto, confortável, seguro e previsível... Não existe mais um jeito único de fazer... Só as experiências emocionais deixam marcas... O aprendizado só é fixado se associado a vivências significativas... Sem desafios não existe motivação para o crescimento!

O tradicional e conhecido CHA (conhecimento, habilidades e atitudes) precisa ser invertido nos dias atuais para ser efetivo... Na era digital, onde o conhecimento está disponível a todos num simples clique, ser proativo, afetuoso, comunicativo, organizado e aglutinador é mais vital do que acumular conhecimento...

É preciso saber andar sobre as ondas, flutuar sobre as nuvens, deslizar em meio ao caos, flexibilizar a postura, correr o risco, soltar a rédea, transgredir, ousar, sem perder o foco, o time, respeitando a alteridade alheia, aceitando o fato de o outro poder ser diferente de nós...

Todos nós temos um conhecimento prévio, uma experiência anterior, um conceito arraigado... Isso deve ser valorizado, mas passível de ser transformado usando inteligência, empatia e humanidade... Precisamos criar o desejo, a vontade, o desequilíbrio, o desconforto, o inconformismo.

Sem criar um clima adequado nenhuma magia funciona... Estimular a ação, valorizar o erro, libertar as ideias, quebrar as amarras das ementas, trabalhar em equipe, interagir, aprender a observar tornando conhecido o que é estranho e estranhando o que já se tornou conhecido...

Uma metodologia só é ativa quando o próprio aluno constrói o conhecimento... Então, é preciso avaliar, auscultar, ter feedback, sensibilidade e grandeza para mudar... Saber usar as modernas tecnologias digitais é um avanço e tanto, mas não é garantia de sucesso nem de ser o diferencial tão sonhado por todos...

A verdade é que estamos diante de um novo cenário e despreparados para enfrentá-lo como ocorre sempre que há grandes transformações sociais, políticas e culturais... O que não justifica que fiquemos paralisados; ao contrário, precisamos encontrar caminhos, precisamos testar saídas, buscar novos métodos, nos abrirmos para novas propostas...