“A pista do aeroporto é a principal avenida em qualquer cidade”. Essa frase de Norm Crabtree, ex-diretor de aviação do Estado de Ohio, USA, é a mais pura verdade quando percebemos o quão abrangente e motor de desenvolvimento é o transporte aéreo.

Quatrocentos e quarenta e três quilômetros separam Teófilo Otoni de Belo Horizonte e não são vencidos com menos de 7 horas na estrada, bem como 424km separam Montes Claros da capital, igualmente não vencidos em tempo inferior a 7 horas. E pelo transporte aéreo?

Trezentos e quarenta e oito quilômetros separam Montes Claros de BH e um avião regional vence tal distância em 50 minutos; e Teófilo Otoni podemos considerar 336 km e 45 minutos com o mesmo avião. Mas temos aqui o primeiro obstáculo, Teófilo Otoni tem aeroporto, mas sua infraestrutura não comporta o avião regional que usamos para este comparativo. O cidadão não tem o aeroporto e tampouco rodovias que compensem a sua ausência.

Quando o transporte aéreo chega em uma cidade, ele é capaz de movimentar até 51 setores da economia, gerar centenas de empregos indiretos, facilita a chegada de encomendas do e-commerce, facilita o acesso a saúde, põe a cidade literalmente no mapa do desenvolvimento social e econômico. No país de Alberto Santos Dumont, chegamos a pouco mais de cem cidades com serviços aéreos (que foram mais de 300 servidas na década de 60) em um universo superior a 5.500 municípios. Muito bem servido pela aviação doméstica, no que chamamos de rotas troncais.

O Brasil é incipiente quando pensamos no transporte aéreo regional. Mesmo que um player do mercado consiga pousar em mais de cem cidades, ele não possui competição, o que gera tarifas altas e logo o avião passa a ser um meio inacessível a grande parcela da população. Paga-se barato entre Belo Horizonte e São Paulo, mas não podemos dizer o mesmo de quem precisa ir de Belo Horizonte a Governador Valadares.

Desenvolver a aviação regional, tornando a pista do aeroporto a principal avenida de inúmeras cidades, é uma condição sine qua non para gerar desenvolvimento econômico e social. Imagine se São João del-Rei tivesse acesso aéreo facilitado, o quão o turismo local envolvendo Tiradentes não poderia crescer, sendo este apenas um exemplo ilustrativo, aplicável a diversas outras cidades. 

Minas Gerais e Bahia, por exemplo, possuem territórios extensos, cujas distâncias tornam necessário um olhar para o céu, para enxergarmos novas fronteiras, fazendo do transporte aéreo o motor de desenvolvimento necessário ao turismo, aos negócios, ao povo.

Alexandre Conrado é consultor aeronáutico, com 20 anos de experiência em diversas aéreas da aviação comercial e formação acadêmica em hotelaria.