Montes Claros

Remédios em falta deixam usuários do SUS em apuros

Sem os medicamentos do Farmácia de Minas, tratamentos contínuos estão sendo suspensos

Márcia Vieira
Publicado em 28/07/2022 às 23:41.
Cardiopata, Frederico saiu da farmácia com a receita “pela metade” (Márcia Vieira)

Cardiopata, Frederico saiu da farmácia com a receita “pela metade” (Márcia Vieira)

Remédios em falta no Farmácia de Minas, programa do Estado que distribui medicamentos básicos, estratégicos, de doenças raras e crônicas, deixam desesperados pacientes que precisam das fórmulas e não têm condições de aviar as receitas em drogarias particulares. A interrupção do uso dos medicamentos afeta a qualidade de vida e chega a colocar em risco esses usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). 

Este é o drama vivido pela dona de casa Maria das Mercês Correa Lima. Cadastrada há cerca de dois anos no Farmácia de Minas, ela precisa tomar quetiapina, mas voltou para casa de mãos vazias. 

“Não tem o remédio, e me pediram para voltar semana que vem. Não posso ficar sem tomar e não tenho como comprar. Custa cerca de R$ 300”, diz a dona de casa, que afirma ter sido orientada, inclusive, a passar por uma nova consulta. “Vou ter que ir ao médico trocar a receita porque me disseram que quando o remédio chegar, será numa dosagem diferente. É mais trabalho e mais custo”, desabafa. 

Cardiopata, Frederico Veloso também depende de um medicamento de uso contínuo, e todo mês busca o remédio para manter o quadro de saúde estável. Ontem, porém, a receita não ficou completa.

“Já cheguei a ficar dois meses sem os remédios, meu desfibrilador estava desligado e isso bagunça todo o meu sistema, até mesmo o controle diurético. Depois, (a entrega) normalizou. Mas hoje consegui só parte da receita. Ficou faltando um”, diz Frederico. “Nem cogitei saber o preço, pois qualquer que seja o valor, para mim é inviável comprar. Somos três pessoas em casa sem emprego e muitas vezes precisamos recorrer à ajuda de familiares”, lamenta. 
 
DINÂMICA
A realidade em Montes Claros não é diferente em outras regiões do Estado. No início da semana, havia falta de 44 medicamentos em unidades do Farmácia de Minas. A entrega dos remédios é feita após um cadastro prévio, seguido pela montagem de um processo com as informações do beneficiado, incluindo exames médicos atualizados.

“Não é um processo muito complexo e vale a pena, pois o custo de alguns remédios é muito alto. Consegui o mais caro, em torno de R$ 500, mas o risperidona, que é mais em conta, em média R$ 60, eu mesma compro. Graças a Deus não tenho encontrado dificuldade para receber o que é mais caro”, afirma R. M. , que cuida do pai, portador de uma doença degenerativa. 

A Secretaria de Estado da Saúde (SES-MG) informou que os medicamentos quetiapina e risperidona são de compra e distribuição centralizada pelo Ministério da Saúde, e que aguarda a entrega em agosto.

Para ambos, segundo a nota, há outras formulações disponíveis. “Para o usuário que passar por avaliação médica e tiver autorização para o uso de medicamentos com outras formulações, a SES-MG tem possibilidade de realizar a troca”, diz o texto.

Para verificar a disponibilidade dos medicamentos, o usuário deve usar o aplicativo MG App ou monitorar o Portal Cidadão MG (cidadao.mg.gov.br).

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