
A proposta de um novo contorno ferroviário e a retirada dos trilhos da área urbana de Montes Claros ganha impulso a partir da criação do Fórum Independente de Desenvolvimento de Montes Claros (FIDMOC), idealizado pelos irmãos Humberto e Roberto Plínio Ribeiro. O propósito do FIDMOC é reunir instituições, sociedade civil e população para tratar do tema com direcionamento e colocar em prática o projeto, que, segundo seu idealizador, Humberto Plínio, vai mudar a cara da cidade e reduzir os impactos negativos que atualmente recaem sobre a população. “Minha secretária, por exemplo, leva cerca de 1h30 para chegar aqui. Ela tem que atravessar toda a cidade e o trânsito não flui. A partir dessas observações, é que a gente percebe as dificuldades e necessidade de colocar em prática as mudanças”, ilustra. Humberto, que foi governador do Lions Clube, o mais alto posto no clube de serviço internacional, recebeu apoio do Lions Clube Sertanejo, por meio de sua presidente Raquel Muniz. Após assistir ao vídeo do projeto, Raquel destacou que o Lions, entidade reconhecida por seu papel no desenvolvimento comunitário, educacional e social, entende a importância de integrar a iniciativa. “Muitas vidas já foram ceifadas nos trilhos e temos que pensar nisso, além de modernizar a cidade. Mais do que sonhar, é preciso realizar. Dr. Humberto pensa grande e essas ideias é que levam adiante Montes Claros. A gente precisa do apoio da população”, disse.
O vídeo com o traçado do projeto foi apresentado pelo presidente do FIDMOC, o engenheiro Plínio Ribeiro Filho, que retornou a Montes Claros após residir no Canadá. Ele relata que o estalo veio após percorrer a cidade com o pai e observar o trânsito. “Cada vez mais carros e mais pessoas que dependem também do transporte público e levam tempo para chegar ao seu destino. A sensação é de querer melhorar isso. Não gosto de falar em remoção, mas da criação do desvio ferroviário, resultando em reaproveitamento desses trilhos”, afirmou. Atualmente, a linha férrea passa por diversos bairros da cidade e tem aproximadamente 14 km de extensão. A gestão da área é da VLI, empresa que opera a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) no trecho de Montes Claros. “Com essa ação, surgiria uma avenida que basicamente corta a cidade de ponta a ponta. É um desejo de toda a sociedade montes-clarense, mas não houve uma vontade política forte o suficiente para fazer com que aconteça isso. Daí o nosso empenho em buscar o apoio da população, para levar com mais força aos governantes. A mobilidade é uma questão fundamental para dar a essa população qualidade de vida”, ressaltou Plínio. A partir do engajamento, o processo entrará nas fases posteriores, de estudo técnico e definição de custeio, estimado na casa dos bilhões, o que, segundo o engenheiro, não é tratado como empecilho. “Recentemente houve a renovação da concessão da FCA por mais 30 anos pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). São cerca de 16 bilhões para serem utilizados durante a nova concessão, para a modernização da ferrovia. E parte desses recursos que vêm da concessionária poderiam ser utilizados também no desvio. Já tem um desvio planejado para Belo Horizonte, e agora nós queremos pleitear esse desvio para Montes Claros”, sugeriu. Para nomear a nova Avenida, foi sugerido o nome do antropólogo Darcy Ribeiro, filho de Montes Claros que, entre outros postos de destaque, foi vice-governador do RJ, Senador e Ministro da Casa Civil.
O advogado Danilo Mendes, que integra a diretoria do Fórum Independente, destacou que “em breve os gestores e apoiadores do projeto vão se reunir para avaliar outros pontos da iniciativa, como impactos de acidentes na área”. O FIDMOC já está nas redes sociais, pelo Instagram ou Facebook @fidmocoficial e a população pode contribuir com sugestões.
